
✈️ Trump ameaça controladores de voo sem salário e promete cortar rendimentos de quem não voltar ao trabalho
Durante paralisação do governo americano, presidente pressiona profissionais da aviação e promete bônus a quem não aderiu à folga — mas sem explicar de onde virá o dinheiro.
Em meio ao caos nos aeroportos dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump decidiu elevar o tom contra os controladores de tráfego aéreo, que estão sem receber salários por causa da paralisação parcial do governo. Pelas redes sociais, o republicano ordenou que todos voltem ao trabalho “imediatamente”, sob ameaça de corte nos rendimentos.
“Todos os controladores de tráfego aéreo devem voltar ao trabalho, AGORA! Quem não voltar terá o salário consideravelmente reduzido”, escreveu Trump na segunda-feira.
A publicação veio após um dia caótico: 1.780 voos foram cancelados e outros 5 mil tiveram atrasos, segundo o site de monitoramento FlightAware. A Administração Federal de Aviação (FAA) havia limitado as operações em 40 grandes aeroportos por falta de pessoal.
💰 Promessa de bônus — sem explicação
Tentando compensar o impacto político da crise, Trump também anunciou que está “recomendando” um bônus de US$ 10 mil (R$ 53 mil) para os controladores que mantiveram o trabalho durante a paralisação. No entanto, o presidente não explicou de onde viriam os recursos nem apresentou plano oficial.
“Para aqueles que só reclamaram e tiraram folga, mesmo sabendo que seriam pagos integralmente em breve, eu NÃO ESTOU SATISFEITO COM VOCÊS”, afirmou.
A fala acendeu críticas e aumentou a tensão entre o governo e a categoria, que enfrenta condições de trabalho precárias e atrasos salariais devido ao impasse no orçamento federal.
🗣️ Sindicato reage
O presidente do sindicato dos controladores (ATC), Nick Daniels, respondeu ao ataque de Trump durante coletiva transmitida pela ABC News.
“Esses homens e mulheres continuaram comparecendo ao trabalho, mesmo sem receber. Eles merecem não só seus salários, mas também reconhecimento pelo que fazem todos os dias”, disse Daniels.
O sindicalista afirmou ainda que o grupo vai buscar diálogo com o governo para resolver a situação, mas deixou claro que a categoria não aceita ameaças públicas.
🌀 Um déjà-vu político
A paralisação atual já é considerada uma das mais longas da história americana, e revive um cenário que os trabalhadores do setor conhecem bem: pressão política, desvalorização e incerteza.
Entre cancelamentos, atrasos e promessas vagas, a aviação americana virou um retrato do impasse em Washington — um governo que não decola e um presidente que, mesmo do topo, prefere apontar o dedo do que assumir o manche.