🌊 Brasil promete proteger os oceanos: Lula anuncia adesão ao Tratado do Alto Mar ainda em 2025

🌊 Brasil promete proteger os oceanos: Lula anuncia adesão ao Tratado do Alto Mar ainda em 2025

Durante evento da ONU na França, presidente defende preservação da biodiversidade marinha e critica disputas geopolíticas nas åguas internacionais. País também vai ampliar åreas protegidas na AmazÎnia Azul.

Durante discurso na Convenção das NaçÔes Unidas sobre os Oceanos, em Nice, na França, o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (9/6), que o Brasil vai ratificar ainda este ano o chamado Tratado do Alto Mar — um acordo global que busca proteger as regiĂ”es dos oceanos que nĂŁo pertencem a nenhum paĂ­s e, portanto, estĂŁo vulnerĂĄveis Ă  exploração desenfreada.

“Nosso compromisso Ă© com a preservação. O Brasil vai ratificar o Tratado do Alto Mar atĂ© o fim de 2025, garantindo uma gestĂŁo justa, transparente e coletiva da biodiversidade que estĂĄ alĂ©m das fronteiras nacionais”, declarou Lula, durante o evento que ficou conhecido como a “COP dos Oceanos”.

O tratado Ă© considerado um passo essencial para o futuro da vida marinha, jĂĄ que estabelece regras para criar ĂĄreas protegidas em ĂĄguas internacionais e promover o uso sustentĂĄvel desses territĂłrios que, por muito tempo, ficaram Ă  margem da governança ambiental. AtĂ© agora, 32 paĂ­ses jĂĄ ratificaram o acordo — sĂŁo necessĂĄrios 60 para que ele passe a valer oficialmente. O Brasil jĂĄ o assinou em 2023, mas ainda precisa formalizar sua adesĂŁo no Congresso.

No seu discurso, Lula nĂŁo poupou crĂ­ticas Ă  forma como as disputas comerciais vĂȘm desrespeitando acordos internacionais. Ele alertou que o mesmo nĂŁo pode se repetir com os oceanos: “NĂŁo podemos permitir que as ĂĄguas internacionais virem palco de brigas geopolĂ­ticas. Canais, golfos e estreitos devem servir para nos unir, nĂŁo para nos dividir”.

O presidente também fez questão de mencionar o trabalho da diplomata brasileira Letícia de Carvalho, que atualmente lidera a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, uma entidade da ONU dedicada a impedir que o fundo dos oceanos seja alvo de exploração predatória. Lula aproveitou para alfinetar decisÔes unilaterais, como a dos Estados Unidos sob o governo Trump, que ignoraram a autoridade do órgão ao liberar a mineração submarina.

Outro ponto importante abordado por Lula foi a ampliação das ĂĄreas marinhas protegidas no Brasil. Ele prometeu que a chamada AmazĂŽnia Azul — zona marĂ­tima sob jurisdição brasileira — passarĂĄ a ter 30% de seu territĂłrio protegido, contra os 26% atuais. O petista tambĂ©m lamentou os “interesses escusos” que, segundo ele, continuam bloqueando a criação de um santuĂĄrio de baleias no AtlĂąntico Sul.

Encerrando sua fala, Lula destacou a importĂąncia da COP 30, que serĂĄ sediada em BelĂ©m. Segundo o presidente, o encontro deverĂĄ mostrar aos lĂ­deres mundiais que a crise climĂĄtica Ă© real e urgente: “As mudanças climĂĄticas podem dizimar a humanidade. Precisamos agir com seriedade e coragem”.

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