
đ Lula fala em tragĂ©dia climĂĄtica, mas o calor maior vem da hipocrisia polĂtica
Na abertura da COP30, o presidente dramatiza o colapso ambiental e cobra ação global â mas esquece que, em casa, o desmatamento e a exploração de petrĂłleo seguem firmes sob seu governo.
Durante a abertura da COP30, em BelĂ©m, o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva fez um discurso inflamado sobre o clima. Com tom de urgĂȘncia, declarou que âa mudança climĂĄtica nĂŁo Ă© uma ameaça do futuro, mas uma tragĂ©dia do presenteâ. Citou tornados, furacĂ”es e a fome que avança â tudo para reforçar que o planeta estĂĄ em apuros.
Mas enquanto Lula discursava em nome da âjustiça ambientalâ, a ironia pairava no ar Ășmido da AmazĂŽnia. O mesmo governo que fala em salvar o planeta tem dado aval Ă exploração de petrĂłleo na Margem Equatorial e enfrenta crĂticas por falhas no combate ao desmatamento. O presidente pediu que o mundo pare de investir em guerras e direcione US$ 1,3 trilhĂŁo por ano para financiar a descarbonização â como se os cofres internacionais fossem uma extensĂŁo do BNDES.
âEstamos andando na direção certa, mas na velocidade erradaâ, disse Lula, pedindo aos negociadores um âmapa do caminhoâ para abandonar os combustĂveis fĂłsseis. Palavras bonitas, sem dĂșvida. Mas quem escuta com atenção percebe que o mapa dele ainda passa por muitos poços de petrĂłleo.
Lula tambĂ©m sugeriu criar um Conselho do Clima ligado Ă ONU, para dar âpeso polĂticoâ ao tema. E convocou o mundo a colocar âas pessoas no centro da agenda climĂĄticaâ. Um apelo nobre â ainda que venha de um lĂder que, no prĂłprio paĂs, enfrenta dificuldades para garantir moradia, emprego e segurança a quem vive Ă s margens do progresso.
No fim, o discurso ecoou como tantos outros: repleto de boas intençÔes, metĂĄforas Ă©picas e promessas para o futuro. Mas, fora do auditĂłrio refrigerado da COP30, o Brasil real continua lidando com queimadas, enchentes e contradiçÔes â todas muito mais quentes que o clima diplomĂĄtico de BelĂ©m.