
đ Carnaval com verba pĂșblica e censura seletiva?
đ„ ApĂłs pressĂŁo polĂtica, escola que homenageia Lula engaveta memes de Bolsonaro, e oposição pede que TCU barre recursos federais
O ensaio tĂ©cnico da AcadĂȘmicos de NiterĂłi virou bem mais do que aquecimento para o Carnaval. Virou palco de disputa polĂtica, ruĂdo institucional e desconfiança sobre o uso de dinheiro pĂșblico. A escola, que estreia no Grupo Especial com um enredo em homenagem ao presidente Lula, decidiu recuar e retirar memes do ex-presidente Jair Bolsonaro que haviam sido exibidos em telĂ”es no ensaio anterior.
A mudança nĂŁo veio do nada â veio depois do barulho. Parlamentares da direita reagiram com indignação, acionaram o MinistĂ©rio PĂșblico Eleitoral e passaram a questionar se o Carnaval estava virando palanque financiado com verba pĂșblica. A crĂtica Ă© direta: quando a sĂĄtira bate em um lado, Ă© arte; quando encosta no outro, vira âexageroâ e precisa ser cortada.
Nos bastidores, o caso ganhou uma camada ainda mais espinhosa. PolĂticos da oposição passaram a cobrar que o TCU apure e suspenda qualquer repasse federal ligado ao projeto, alegando possĂvel uso polĂtico de recursos pĂșblicos. A pergunta que ecoa Ă© simples â e incĂŽmoda: se hĂĄ dinheiro do governo envolvido, quem decide o que pode e o que nĂŁo pode aparecer no telĂŁo?
A escola garante que seguirĂĄ com quatro caminhĂ”es de LED no desfile, mas agora sem memes de Bolsonaro. JĂĄ a repercussĂŁo, essa sim, segue em alta voltagem. Para crĂticos, o episĂłdio escancara dois pesos e duas medidas: o Carnaval pode atĂ© ser livre, mas parece que a ironia sĂł desfila quando aponta para o lado âcertoâ.
No fim das contas, o samba-enredo continua, mas a confiança ficou atravessada na avenida â e o TCU foi chamado para entrar no desfile como fiscal, nĂŁo como jurado.