🚧 Protesto Indígena Paralisa BR-101 por 36 Horas em Clamor pela Liberdade de Cacique

🚧 Protesto Indígena Paralisa BR-101 por 36 Horas em Clamor pela Liberdade de Cacique

Interdição no Extremo Sul da Bahia trava mais de 20 km e expõe tensão entre comunidades indígenas e o Estado após prisão de Suruí Pataxó

Depois de um bloqueio que durou um dia e meio, a BR-101 foi finalmente liberada no fim da tarde de terça-feira (8/7), no trecho de Itamaraju, no extremo sul da Bahia. A rodovia havia sido ocupada por indígenas desde a manhã de segunda-feira (7/7), em um protesto exigindo a libertação do cacique Welington Ribeiro de Oliveira — conhecido como Suruí Pataxó — preso pela Polícia Federal com apoio da Força Nacional.

O bloqueio causou um congestionamento que ultrapassou 20 km nos dois sentidos da estrada, afetando principalmente o acesso ao Parque Nacional do Monte Pascoal. Durante o protesto, apenas ambulâncias e veículos de emergência tiveram passagem liberada.

Clima de tensão e caminhão incendiado
O momento mais tenso ocorreu quando uma empresária, Elaine Tschaen Schneidem, de 40 anos, tentou forçar a passagem com seu caminhão. Segundo vídeos e relatos, o veículo foi cercado por manifestantes, depredado com pedaços de madeira e, depois, incendiado.

Elaine foi retirada do caminhão, teve o rosto pintado com urucum — pigmento tradicional indígena — e foi levada até a presença de policiais que acompanhavam o protesto. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou que tentou seguir viagem ao ver outros motoristas furando o bloqueio, mas foi agredida, teve o celular quebrado e implorou para não ser ferida, dizendo que precisava voltar para casa para cuidar do filho pequeno. A Polícia Civil registrou um boletim de ocorrência por dano e ameaça.

Quem é Suruí Pataxó?
O cacique foi preso no dia 2 de julho, junto com mais duas pessoas, depois que agentes da PF encontraram um arsenal de armas de fogo. em território indígena na região de Barra Velha, em Porto Seguro — área marcada por disputas entre indígenas e fazendeiros.

A prisão gerou forte reação de entidades indígenas, que denunciaram a ação como “perseguição política”. A Apoinme (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo) afirmou que Suruí sofre ameaças constantes e tem papel central na defesa dos direitos humanos.

O Conselho de Caciques da região também se manifestou, classificando a prisão como arbitrária e denunciando que os outros detidos — supostamente adolescentes — teriam sido agredidos física e psicologicamente durante o transporte.

Resposta do governo federal
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que a Força Nacional está atuando para garantir a vida e respeitar os direitos dos povos originários, com prioridade para o diálogo.

Desde abril, tropas da Força Nacional estão na região de Porto Seguro para conter o aumento das tensões entre indígenas e produtores rurais. A presença dos agentes foi autorizada por 90 dias.

O episódio revela a crescente fricção entre os interesses do agronegócio e os direitos indígenas no sul da Bahia — e a prisão de uma liderança como Suruí Pataxó acendeu o estopim de uma revolta que parou a principal rodovia do estado.

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