
🚨 “Só quis ajudar meu pai”: Gilson Machado nega envolvimento em plano de fuga de Mauro Cid
Ex-ministro de Bolsonaro diz que só pediu passaporte para o pai e não agiu para ajudar Mauro Cid a deixar o país
Preso nesta sexta-feira (13) pela Polícia Federal, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL) tentou se desvincular completamente de qualquer plano de fuga envolvendo o tenente-coronel Mauro Cid. Segundo ele, o contato com o consulado português foi apenas para renovar o passaporte do próprio pai, de 85 anos.
“Eu não matei, não trafiquei, não sou bandido. Só fiz um pedido de passaporte para o meu pai, por telefone. Não tem nada a ver com Mauro Cid”, declarou Gilson ao chegar ao Instituto de Medicina Legal (IML), em Recife, onde passou por exame de corpo de delito.
Machado disse que sequer pisou em consulado ou embaixada. Ele afirmou que seus contatos com o consulado português de Recife foram feitos por telefone ou mensagem de voz, e que seu pai chegou a ir ao local pessoalmente, acompanhado de um dos filhos.
“Está tudo registrado. Nunca fui a nenhuma embaixada, nem aqui, nem fora. Isso vai ser provado”, insistiu.
Depois do exame, ele foi encaminhado ao presídio Cotel, em Abreu e Lima, onde aguardará uma nova decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa cobra explicações ao STF: “Só perguntaram do passaporte”
Gilson Machado prestou depoimento na sede da PF em Recife, onde reafirmou não ter nenhuma ligação com planos para tirar Mauro Cid do país. Segundo o advogado Célio Avelino, a Polícia Federal não apresentou provas — apenas o mandado de prisão.
“A única pergunta foi sobre um suposto pedido de passaporte para Mauro Cid. Nenhuma outra acusação foi feita”, disse o advogado, que agora pede esclarecimentos ao STF.
Gilson foi preso em casa, no bairro nobre de Boa Viagem.
PF vê indícios de tentativa de fuga e obstrução de justiça
A PF suspeita que Gilson Machado teria procurado o consulado português em maio para tentar emitir um passaporte para Mauro Cid. Como não teve sucesso, os investigadores acreditam que ele poderia buscar outros consulados ou até a embaixada portuguesa em Brasília.
Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), há indícios de que Gilson tentou atrapalhar as investigações que apuram se Cid, Bolsonaro e aliados tentaram aplicar um golpe de Estado, além do caso das joias vendidas nos EUA.
“Possivelmente para viabilizar a saída de Mauro Cid do país antes da conclusão do processo penal”, destacou a PGR.
Viagem da família de Cid para os EUA acendeu alerta
No final de maio, a mulher de Cid, Gabriela, e duas filhas viajaram para os Estados Unidos, dias antes do interrogatório do militar e de outros acusados do núcleo central da tentativa de golpe. Pouco depois, os pais de Mauro Cid e uma das filhas também embarcaram para Los Angeles.
A defesa alegou que a viagem foi motivada por uma comemoração familiar, envolvendo um aniversário de 15 anos e a formatura de um sobrinho. A previsão é de retorno ao Brasil em 20 de junho.
Apesar de não haver restrições legais para a viagem, o movimento levou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a solicitar medidas contra Cid e Gilson Machado.
Delator, Mauro Cid teve prisão revogada, mas prestou novo depoimento
Mesmo com o pedido de prisão aceito por Moraes, o ministro do STF optou por revogar a ordem contra Mauro Cid, trocando-a por mandado de busca e apreensão. O militar foi conduzido para prestar mais um depoimento à PF, nesta sexta-feira.
Cid firmou delação premiada e, com isso, conseguiu suspender os processos contra seu pai, esposa e filha mais velha. Mas o benefício depende do cumprimento das condições do acordo.
Cidadania portuguesa sem passaporte: a chave do caso
Um dos focos da investigação é a tentativa de Mauro Cid de conseguir um passaporte europeu. Embora ele tenha obtido a cidadania portuguesa em 2024, conforme a defesa, ainda não tinha o passaporte — documento que lhe permitiria circular livremente pela União Europeia.
“Ele não pediu nem tem passaporte português. Só tem a carteira de identidade portuguesa, que não serve para sair do país”, explicou a defesa ao STF.
Gilson, por sua vez, nega ter agido em favor de Cid e reitera que seu único interesse era renovar o documento do pai.
Ex-ministro sanfoneiro vira réu
Gilson Machado, conhecido não só pelo cargo de ministro do Turismo de Bolsonaro, mas também por tocar sanfona nas lives do então presidente, agora vê sua trajetória política e musical interrompida por uma prisão que promete marcar mais um capítulo nas investigações sobre o cerco ao Estado Democrático de Direito.