
🎤 Fafá de Belém sob investigação: MP apura uso de verba pública em evento do Círio de Nazaré
Ministério Público quer explicações sobre R$ 1,5 milhão destinados ao projeto “Varanda de Nazaré”, tradicional celebração criada pela cantora para homenagear Nossa Senhora de Nazaré.
O Ministério Público do Pará (MP-PA) abriu um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 1,569 milhão em recursos públicos supostamente destinados ao projeto “Varanda de Nazaré”, idealizado e promovido pela cantora Fafá de Belém durante o Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do Brasil.
O caso está sob a responsabilidade do promotor Sávio Rui Brabo de Araújo, que busca esclarecer se houve irregularidades na execução do Termo de Inexigibilidade de Chamamento Público nº 02/2024, firmado entre a Fundação Cultural do Estado do Pará e o Programa Estadual de Incentivo à Cultura. O foco da investigação é o projeto 094-2024, que corresponde à edição de 2024 da tradicional varanda.
O inquérito tramita na 1ª Promotoria de Tutela das Fundações Privadas e Associações de Interesse Social, e, segundo documentos obtidos pelo Pleno.News, o MP enviou, no último dia 9 de outubro, um ofício à cantora solicitando esclarecimentos — que deverão ser respondidos em até dez dias úteis.
Entre as perguntas feitas a Fafá estão se ela confirma ter idealizado o projeto, qual foi sua participação na execução do evento de 2024 e quem financiou os artistas convidados, que incluíram nomes como Dira Paes, Fábio Porchat, Gerson Camarotti, Tati Machado e Rafa Kalimann.
🌹 O outro lado
Em nota, Fafá de Belém e sua produtora, a Kaiapó Produções, afirmaram apoiar integralmente as investigações e destacaram que o evento é conduzido com transparência e responsabilidade.
A equipe da cantora negou o recebimento de recursos públicos via Lei Semear, que regula o Programa Estadual de Incentivo à Cultura, e afirmou que a menção do projeto no Diário Oficial foi resultado de um erro material já corrigido. Segundo a nota, a edição de 2024 teve apenas apoio institucional do governo, limitado a questões logísticas — sem repasse financeiro.
“A Varanda de Nazaré é viabilizada por parcerias públicas e privadas formais, com prestação de contas rigorosa e contratos técnicos. É um projeto de fé, cultura e valorização da identidade amazônica”, afirmou a produtora.
Criada em 2004, a Varanda de Nazaré se tornou um símbolo do Círio de Belém, reunindo artistas, jornalistas e devotos em uma mistura de celebração religiosa e expressão cultural. Agora, o evento — conhecido por exaltar a fé e a beleza amazônica — se vê envolvido em uma apuração que mistura burocracia, fé e política.