“Moraes dá cinco dias para PF explicar mistério da viagem de Filipe Martins aos EUA”

“Moraes dá cinco dias para PF explicar mistério da viagem de Filipe Martins aos EUA”

Entre versões contraditórias e registros suspeitos, o STF cobra respostas sobre o paradeiro do ex-assessor de Bolsonaro, investigado por participação em trama golpista.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apresente, em até cinco dias, explicações detalhadas sobre a suposta ida de Filipe Garcia Martins Pereira, ex-assessor de Jair Bolsonaro, aos Estados Unidos no fim de dezembro de 2022 — período em que o país vivia os bastidores da tentativa de golpe após as eleições.

A ordem de Moraes faz parte da ação que investiga o chamado “núcleo 2” da trama golpista, que inclui nomes como Fernando de Sousa Oliveira, Marcelo Costa Câmara, Marília Ferreira de Alencar, Mário Fernandes e Silvinei Vasques — todos suspeitos de atuar para manter Bolsonaro no poder à força.

Segundo informações da PF, Filipe Martins poderia ter deixado o Brasil a bordo do avião presidencial, rumo a Orlando, junto com a comitiva de Bolsonaro. A entrada nos EUA teria sido confirmada por registros do Department of Homeland Security (DHS), com base em documentos pessoais. Mas o caso ganhou contornos de mistério quando o U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pelo controle de fronteiras, divulgou nota dizendo que Martins jamais entrou no país — e que o registro apresentado seria falso.

A confusão levantou ainda mais suspeitas. Em fevereiro de 2024, os pais do ex-assessor disseram à PF que ele vivia “no exterior”, mas, no mesmo dia, os agentes o encontraram em Ponta Grossa (PR), no apartamento da noiva. Martins justificou a ausência alegando estar em um “ano sabático”, dividindo-se entre endereços em São Paulo e Balneário Camboriú.

Mesmo assim, o histórico de deslocamentos e a ausência dos passaportes levantaram o alerta sobre risco de fuga, já que Ponta Grossa fica a poucas horas das fronteiras com Argentina e Paraguai.

Agora, Moraes quer que a PF esclareça de forma definitiva se houve ou não a viagem — e como um registro de entrada nos Estados Unidos pôde surgir nos sistemas oficiais.

O caso está prestes a entrar em fase de julgamento, com as alegações finais já apresentadas pelo Ministério Público Federal e pelas defesas. A decisão da Primeira Turma do STF deve ocorrer ainda este ano.

Em meio às idas e vindas processuais, Martins também se envolveu em uma polêmica jurídica: chegou a ter os advogados destituídos por atraso nas alegações finais, o que levou Moraes a nomear a Defensoria Pública da União (DPU). Após recurso, o ministro voltou atrás e restituiu a defesa original.

Enquanto a Justiça tenta entender se Martins cruzou fronteiras ou apenas versões, o caso expõe mais uma camada de confusão e contradição nas investigações sobre os bastidores do 8 de janeiro.

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