
đ Atraso com aplausos: quando nĂŁo pagar em dia vira feito de governo
Governadora do PT confirma atraso no 13Âș e ainda recebe palmas no RN
A governadora do Rio Grande do Norte, FĂĄtima Bezerra (PT), conseguiu um feito curioso â e constrangedor: foi aplaudida ao anunciar que o 13Âș salĂĄrio dos servidores estaduais nĂŁo serĂĄ pago integralmente em dezembro, como manda a regra, mas sĂł atĂ© 10 de janeiro de 2026. Faltou pouco para a cena virar cerimĂŽnia oficial de homenagem.
Segundo o governo, o atraso nĂŁo Ă© atraso â Ă© âcronogramaâ. A gestĂŁo repete a velha justificativa de que divide o benefĂcio em duas parcelas, uma em dezembro e outra em janeiro, como se isso transformasse exceção em virtude. A primeira parte jĂĄ foi paga; a segunda, empurrada para o ano seguinte, enquanto contas e dĂvidas dos servidores continuam chegando pontualmente.
Mesmo assim, diante de servidores, a governadora discursou em tom de vitĂłria. Disse que, em sete anos de mandato, ânunca atrasou salĂĄrioâ â embora, na prĂĄtica, esteja confirmando mais uma vez que o 13Âș nĂŁo serĂĄ quitado dentro do prazo legal. Ainda assim, recebeu aplausos, como se cumprir parcialmente uma obrigação fosse motivo de celebração.
Em outro momento, FĂĄtima reforçou que o parcelamento âjĂĄ Ă© conhecidoâ pelos servidores, quase como se o costume anulasse o problema. Afinal, quando o atraso se repete, ele deixa de ser falha e passa a ser tratado como polĂtica pĂșblica.
O contraste Ă© gritante: o trabalhador aperta o cinto, mas o governo pede paciĂȘncia â e ainda Ă© aplaudido por isso. NĂŁo por acaso, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço PĂșblico do RN (Sinsp) recorreu Ă Justiça para exigir o pagamento integral do 13Âș ainda em dezembro, como determina a legislação estadual e o regime jurĂdico dos servidores.
Para o sindicato, o parcelamento viola a lei e ignora a realidade financeira de ativos, aposentados e pensionistas, que contam com o valor para fechar o ano. Enquanto isso, o governo prefere transformar atraso em discurso e dificuldade em espetĂĄculo.
Depois do episĂłdio do âTeje entregueâ, na inauguração de um simples cano, agora vem mais um capĂtulo simbĂłlico: atrasar salĂĄrio, anunciar com naturalidade e sair sob aplausos. No Rio Grande do Norte, parece que sĂł faltou entregar uma medalha â porque o dinheiro mesmo, esse fica para janeiro.