
🎭 Restrição antes da folia: Prefeitura limitou saídas na Consolação semanas antes de bloco superlotar
Portaria criou “zona especial” no entorno da Praça Roosevelt e direcionou dispersão de foliões; gestão Nunes diz que medida é padrão por segurança
Semanas antes da confusão e da superlotação que marcaram o desfile de grandes blocos na Rua da Consolação, a Prefeitura de São Paulo já havia imposto restrições de circulação na região. A medida, publicada em janeiro, criou uma chamada Zona de Atenção Especial (ZAE) no entorno da Praça Franklin Roosevelt, alterando rotas de saída e limitando o fluxo de pedestres e veículos.
Na prática, a determinação afetou diretamente a dispersão de foliões do Bloco Skol — que teve como atração o DJ Calvin Harris — e do tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta, que arrastaram centenas de milhares de pessoas no pré-carnaval.
A portaria da Subprefeitura da Sé, publicada em 15 de janeiro, estabeleceu controle de acesso com grades e monitoramento da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana nas ruas Gravataí, João Guimarães Rosa e na própria Praça Roosevelt. O objetivo declarado era direcionar o público para rotas específicas, como a Avenida Ipiranga e a Rua Xavier de Toledo, afastando a multidão da Praça Roosevelt e da Rua Augusta.
A praça, aliás, já vinha sendo cercada com tapumes nos últimos carnavais. Segundo a Prefeitura, o local funciona como base operacional para equipes de segurança, saúde e logística. A administração municipal afirma que o isolamento ocorre há cinco anos, mas não detalhou claramente por que as demais ruas do entorno também tiveram acesso restringido.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram vias bloqueadas praticamente vazias, enquanto a Consolação registrava empurra-empurra, brigas e momentos de tensão. Com as rotas limitadas e a concentração crescente de público, foliões chegaram a derrubar grades e subir em estruturas como pontos de ônibus para tentar escapar do aperto.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sustenta que o carnaval conta com plano de contingência, incluindo rotas de emergência e dispersão. Ainda assim, o episódio levantou questionamentos sobre planejamento e logística.
Outro ponto que chamou atenção foi a inclusão do Bloco Skol na programação oficial, apesar de o regulamento inicial não permitir novos blocos no pré-carnaval. A exceção abriu espaço para o evento organizado pela Ambev, patrocinadora da festa. A empresa foi procurada, mas não se manifestou.
Mesmo diante das cenas de tumulto, a Prefeitura classificou o primeiro fim de semana de carnaval como um “sucesso”. O caso, no entanto, passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que apura possíveis falhas na organização e no controle de público.
A justificativa oficial para a proibição de grandes concentrações na Praça Roosevelt envolve questões estruturais: desníveis, estruturas metálicas, áreas elevadas e uma pista de skate que poderiam representar risco em meio a multidões.
As restrições valem para o pré-carnaval, o carnaval oficial e o pós-carnaval, sempre entre 10h e 22h, com circulação de pedestres controlada e proibição de veículos e ambulantes.
E o calendário ainda reserva mais um teste para a região: o megabloco Pipoca da Rainha, comandado por Daniela Mercury, que deve levar novamente uma multidão à Rua da Consolação no encerramento do pós-carnaval.
Depois do que já aconteceu, a grande dúvida é se a estrutura — e as rotas — vão dar conta.