đŸ›ïž Prefeitura ou Central do Pix?

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Em Turilñndia, quase todo mundo governava — e quase todo mundo caiu na mesma operação

Se a polĂ­tica fosse uma sĂ©rie, TurilĂąndia (MA) teria conseguido algo inĂ©dito: um elenco quase completo atrĂĄs das grades. O prefeito, o vice, a primeira-dama e nada menos que 20 vereadores foram presos em uma investigação que apura um desvio de aproximadamente R$ 56 milhĂ”es dos cofres pĂșblicos. Um verdadeiro “governo em famĂ­lia — e em quadrilha”.

Segundo o MinistĂ©rio PĂșblico do MaranhĂŁo, o esquema era tĂŁo abrangente que parecia reuniĂŁo de condomĂ­nio: polĂ­ticos, empresĂĄrios, ex-vereadores, ex-vice-prefeita, contador da prefeitura e servidores pĂșblicos — todos supostamente participando da mesma organização criminosa.

De acordo com o Gaeco, o prefeito Paulo CuriĂł (UniĂŁo Brasil) seria o comandante do esquema, enquanto a primeira-dama, Eva CuriĂł, exerceria o papel de “diretora financeira” da operação. O dinheiro pĂșblico, ao que tudo indica, fazia turismo por empresas de fachada criadas sĂł para desviar recursos.

A investigação faz parte da Operação TĂąntalo II, deflagrada na segunda-feira (22). O promotor Fernando Berniz explicou que as empresas usadas nos contratos eram fictĂ­cias, criadas sob medida para sugar dinheiro da prefeitura. E na CĂąmara Municipal, segundo ele, ninguĂ©m ficou de fora: os vereadores recebiam valores desviados diretamente — ou por meio de parentes, para dar aquele toque “familiar” ao esquema.

ApĂłs um breve perĂ­odo foragidos, o prefeito, a esposa e outros investigados resolveram se entregar na quarta-feira (24). JĂĄ os vereadores tiveram um “benefĂ­cio administrativo”: prisĂŁo domiciliar ou tornozeleira eletrĂŽnica. O motivo? Evitar que a cidade ficasse sem governo — afinal, alguĂ©m precisa assinar os papĂ©is enquanto o resto presta depoimento.

No total, a operação cumpriu 51 mandados de busca e apreensĂŁo e 21 mandados de prisĂŁo em SĂŁo LuĂ­s e em outros municĂ­pios. As acusaçÔes incluem organização criminosa, fraude em licitaçÔes, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro — praticamente um bingo do CĂłdigo Penal.

Segundo os investigadores, o esquema funcionou entre 2021 e 2025, perĂ­odo da gestĂŁo de Paulo CuriĂł. Empresas de fachada, contratos fraudulentos e laranjas completavam o cardĂĄpio do desvio.

No fim das contas, Turilñndia entra para a história não por uma grande obra, mas por um feito raro: uma prefeitura onde quase todos os caminhos levavam
 à delegacia. 🚔💾

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