
đïž Trump abre as portas da Casa Branca para lĂder sĂrio e prolonga suspensĂŁo das sançÔes mais duras contra Damasco
Ahmed al-Sharaa, ex-comandante rebelde que derrubou Assad, tenta convencer Washington a encerrar de vez o bloqueio econÎmico; encontro ocorre em meio a negociaçÔes secretas e desconfiança internacional.
Em um gesto polĂtico que chamou a atenção do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu Ahmed al-Sharaa, atual lĂder da SĂria e ex-comandante de facçÔes rebeldes islĂąmicas, para uma reuniĂŁo sigilosa na Casa Branca nesta segunda-feira (10).
O encontro â o primeiro de um chefe de Estado sĂrio em Washington â foi realizado sem imprensa, sem tapete vermelho e com forte controle de acesso, o que sĂł aumentou as especulaçÔes sobre os reais objetivos da visita.
Sharaa, que assumiu o poder apĂłs a queda de Bashar al-Assad, busca encerrar dĂ©cadas de isolamento internacional e, sobretudo, livrar o paĂs das sançÔes econĂŽmicas mais severas impostas pelos EUA, conhecidas como sançÔes CĂ©sar.
âïž Trump recua, mas nĂŁo cede totalmente
Enquanto os dois lĂderes conversavam a portas fechadas, o Departamento do Tesouro americano anunciou uma nova extensĂŁo de 180 dias da suspensĂŁo parcial das sançÔes, evitando, por ora, um rompimento total da polĂtica de pressĂŁo econĂŽmica contra Damasco.
A decisĂŁo sinaliza que Trump quer abrir o diĂĄlogo, mas sem entregar todas as cartas de uma vez. âNosso compromisso Ă© com o alĂvio contĂnuo das sançÔes Ă SĂriaâ, afirmou o Tesouro em comunicado â uma frase cuidadosamente calibrada entre diplomacia e cautela.
đïž De rebelde a chefe de Estado
Aos 43 anos, Sharaa teve uma ascensĂŁo meteĂłrica: de comandante de milĂcia islĂąmica no noroeste da SĂria a presidente, apĂłs liderar uma ofensiva relĂąmpago que depĂŽs Assad em dezembro do ano passado.
Desde entĂŁo, ele tenta redefinir a imagem da SĂria, afastando-se de antigos aliados como IrĂŁ e RĂșssia, e buscando aproximação com a Turquia, paĂses do Golfo e agora os Estados Unidos.
Mas os laços de seu passado ainda o perseguem. AtĂ© pouco tempo atrĂĄs, Sharaa figurava na lista americana de terroristas globais â um estigma difĂcil de apagar, mesmo apĂłs a reviravolta polĂtica.
đ„ Diplomacia Ă s sombras
De acordo com fontes do governo americano, os EUA negociam discretamente um pacto de segurança entre SĂria e Israel, ainda desconfiado das origens do novo governo sĂrio.
Washington tambĂ©m planeja instalar uma base aĂ©rea em Damasco, parte de uma reconfiguração geopolĂtica que recoloca os EUA no centro da reconstrução do paĂs.
Enquanto isso, Sharaa tenta o que poucos acreditavam possĂvel hĂĄ alguns anos: incluir a SĂria em uma coalizĂŁo liderada pelos EUA contra o Estado IslĂąmico â uma ironia amarga, considerando sua antiga trajetĂłria no campo oposto.
đ Um encontro que divide o mundo
Para alguns analistas, Trump estaria apostando em uma ânormalização pragmĂĄticaâ: perdoar o passado de Sharaa em nome de novos interesses estratĂ©gicos. Para outros, trata-se de um perigoso flerte com o revisionismo polĂtico, que transforma ex-rebeldes em aliados convenientes.
Entre tapetes enrolados, portas laterais e cĂąmeras afastadas, a visita de Sharaa Ă Casa Branca revela o quanto a geopolĂtica mundial continua operando nas sombras â onde os interesses falam mais alto que os princĂpios.