
📉 Bolsa Família encolhe no governo Lula
Menos 2,7 milhões de famílias: pente-fino expõe desigualdades e realidades diferentes pelo país
O Bolsa Família, programa que há anos sustenta milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade, vem passando por uma forte redução no número de beneficiários. Em outubro, o total caiu para 18,9 milhões de famílias, menor índice do atual governo e distante do que se viu no fim de 2022, quando 21,6 milhões estavam no programa ao término do governo Bolsonaro. Desde então, 2,7 milhões de famílias deixaram de receber o auxílio — e esse movimento se intensificou a partir de julho.
Por que tanta gente ficou de fora?
O governo atribui a queda principalmente a um pente-fino: pessoas que não se enquadram mais nas regras estão sendo excluídas, incluindo casos comprovados de fraude. Há também quem tenha visto a renda melhorar e, por isso, perdeu o benefício.
Mas especialistas apontam que essa explicação não cobre toda a realidade — há famílias que relatam dificuldades para atualizar dados, problemas no cadastro e, em alguns casos, saíram sem sequer saber o motivo.
Cadastro modernizado… e mais rígido
Desde março de 2025, o Cadastro Único foi atualizado. O sistema agora cruza automaticamente informações de renda, o que facilita o combate a irregularidades — mas também tornou o processo mais severo para quem depende do benefício.
Onde a queda pesa mais?
As regiões mais pobres do país foram as mais impactadas — sobretudo o Nordeste, que perdeu mais de 1 milhão de beneficiários. Veja o panorama:
- Nordeste: – 1,1 milhão
- Sudeste: – 1,1 milhão
- Sul: – 181,4 mil
- Centro-Oeste: – 157,4 mil
- Norte: – 159,4 mil
Quanto o programa custa hoje?
Mesmo com menos beneficiários, o investimento permanece alto:
📌 Em outubro de 2025, o gasto mensal foi de R$ 12,9 bilhões.
Para comparação: em janeiro de 2022, o valor estava em R$ 3,7 bilhões.
Ou seja: quase 10 bilhões a mais por mês.
Quando cai o pagamento?
O repasse segue o calendário escalonado: em outubro, começou no dia 20, para quem tem NIS final 1. Os depósitos continuam até o dia 31, conforme o último dígito do NIS.
Quantas famílias ainda dependem do benefício?
Distribuição por região, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social:
- Nordeste: 8,8 milhões
- Sudeste: 5,3 milhões
- Norte: 2,5 milhões
- Sul: 1,3 milhão
- Centro-Oeste: 994 mil
A discussão segue aberta: a limpeza necessária para coibir fraudes pode estar deixando para trás quem realmente precisa?
Enquanto isso, milhões de lares vivem na corda bamba — entre o fim do mês e a esperança de não desaparecer do sistema.