
Sonda milionária parada no Amapá vira símbolo de impasse entre exploração e burocracia
Equipamento de perfuração está há mais de 100 dias sem operar, com custo diário de R$ 4 milhões enquanto aguarda autorização ambiental — prejuízo já passa dos R$ 240 milhões.


Uma sonda de perfuração da Petrobras, que custa cerca de R$ 4 milhões por dia para ficar ancorada, está literalmente “queimando dinheiro” no litoral do Amapá. Há mais de 100 dias, o equipamento permanece parado à espera do sinal verde do Ibama para começar perfurações exploratórias na margem equatorial, região considerada a nova fronteira do petróleo brasileiro.
O contrato de aluguel do navio — firmado com uma empresa estrangeira — se encerra nesta terça (21). No fim da conta: mais de R$ 240 milhões gastos sem que uma gota de petróleo sequer tenha sido investigada no local.
⚖️ Licença emperrada, prejuízo acelerando
O governador do Amapá, Clécio Luiz, levou o problema ao público durante entrevista na BandNews. Para ele, o que está travado não é a exploração em si, mas a ciência:
“A sonda está lá parada, obedecendo tudo o que foi solicitado, e falta só a decisão. É dinheiro público escorrendo pelo ralo.”
O que a Petrobras quer fazer inicialmente é pesquisa: perfurar para confirmar se existem reservas valiosas, como já se encontrou na Guiana.
🌳 x 💰 Meio ambiente e desenvolvimento em choque constante


A situação provocou um dilema dentro do governo:
| Quem apoia liberar | Quem pede mais cautela |
|---|---|
| Lula | Ambientalistas |
| Ministério de Minas e Energia | Parte do Ministério do Meio Ambiente |
| Petrobras | Setores técnicos do Ibama |
A margem equatorial pode abrigar reservas gigantes, mas também é uma área ambientalmente sensível.
Clécio lembra que o Amapá é campeão de natureza preservada — 97% da floresta intacta — mas também um dos estados mais pobres do país:
“Não queremos devastar nada. Só que floresta em pé também precisa gerar emprego.”
Hoje, 70% do território está sob alguma forma de proteção, entre terras indígenas, reservas e parques.
🧭 O que está em jogo
- Descobertas podem revolucionar a economia da região
- Centenas de empregos diretos e indiretos
- Receita bilionária em royalties
- Risco ambiental caso algo saia do controle
- Imagem do Brasil no debate climático global
🎯 Conclusão
Enquanto a decisão não vem, a sonda segue ancorada, custosa e improdutiva.
De um lado, quem teme os impactos ambientais.
De outro, quem vê no petróleo a chance de transformar a vida de quem vive no Amapá.
E, dia após dia, o relógio — e o dinheiro — continuam correndo.