🔇 O silĂȘncio seletivo da Secretaria da Mulher diante da gritaria conveniente de Marina

🔇 O silĂȘncio seletivo da Secretaria da Mulher diante da gritaria conveniente de Marina

Enquanto parlamentares criticam a postura ideológica e a falta de preparo técnico da ministra Marina Silva, a Secretaria da Mulher corre para blindar discursos frågeis com a velha cartilha do vitimismo institucional.

AçÔes teatrais da Secretaria da Mulher expÔem mais preocupação em proteger narrativas do que enfrentar debates com maturidade. Ataques ou críticas legítimas?

A cena se repete como um roteiro ensaiado: Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, vai ao Congresso, Ă© confrontada com crĂ­ticas duras e, no dia seguinte, entra em cena a Secretaria da Mulher para interpretar qualquer contestação como “violĂȘncia polĂ­tica de gĂȘnero”. Foi o que aconteceu mais uma vez na Ășltima quarta-feira (2/7), durante audiĂȘncia na ComissĂŁo de Agricultura da CĂąmara, onde parlamentares da oposição contestaram, com firmeza e ironia, a atuação da ministra. Em resposta, a Secretaria anunciou que vai acionar a corregedoria da Casa em busca de “medidas cabĂ­veis”.

O foco da denĂșncia gira em torno das falas do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), que chamou a ministra de “adestrada” e “mal-educada”, alĂ©m de comparĂĄ-la, com exagero retĂłrico, a organizaçÔes como Farc e Hezbollah. Ainda que o tom possa ser criticado, o conteĂșdo aponta para algo que a Secretaria da Mulher parece ignorar: a crĂ­tica polĂ­tica dura faz parte do jogo democrĂĄtico — especialmente quando dirigida a uma autoridade pĂșblica que ocupa cargo de enorme responsabilidade.

Mas para a pasta comandada por deputadas governistas, toda crĂ­tica dirigida a uma mulher Ă© automaticamente violĂȘncia. Em nota publicada nas redes sociais, a Secretaria alertou sobre uma suposta escalada de “violĂȘncia polĂ­tica de gĂȘnero”, como se Marina estivesse sendo atacada por ser mulher — e nĂŁo por suas açÔes, omissĂ”es ou falas como ministra.

A realidade, no entanto, escancara outra coisa: Marina Silva vem colecionando embates porque se recusa a encarar temas como desenvolvimento rural, agropecuĂĄria e queimadas com base tĂ©cnica e pragmatismo. Sua gestĂŁo Ă© marcada por discursos idealizados e pouca escuta a quem vive da terra. Quando os parlamentares apertam o cerco, ela apela para a vitimização, acusando “machismo” atĂ© em frases irĂŽnicas como a de ZĂ© TrovĂŁo (PL-SC), que a mandou “se acalmar”. Marina retrucou com um clichĂȘ feminista: “Quando um homem ergue a voz, Ă© incisivo. Quando uma mulher fala com firmeza, dizem que Ă© show”. O problema Ă© que nĂŁo era firmeza — era teatralidade.

A sessĂŁo precisou ser interrompida por conta dos Ăąnimos exaltados — mas nada alĂ©m do que se espera de um debate polĂ­tico. Se a ministra nĂŁo estĂĄ preparada para enfrentar opiniĂ”es contrĂĄrias e cobranças duras, talvez o problema esteja menos na misoginia e mais na sua prĂłpria resistĂȘncia ao contraditĂłrio.

E enquanto a Secretaria da Mulher corre ao socorro, mais preocupada em criar um escudo de gĂȘnero do que em defender o debate democrĂĄtico, fica evidente que o foco nĂŁo Ă© proteger mulheres — Ă© blindar cargos aliados.

No fim, a pergunta que fica Ă©: desde quando o contraditĂłrio virou crime? E atĂ© quando a crĂ­tica polĂ­tica serĂĄ disfarçada de “ataque misĂłgino” sĂł porque o governo nĂŁo suporta ser contestado?

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