Deputados Enfrentam Marina Silva e Exigem Seriedade na Política Ambiental

Deputados Enfrentam Marina Silva e Exigem Seriedade na Política Ambiental

Parlamentares cobram coerência da ministra e criticam sua gestão à frente do Meio Ambiente, marcada por discursos evasivos e números alarmantes.

A ida da ministra Marina Silva à Comissão de Agricultura da Câmara nesta quarta-feira (2) mais pareceu um déjà-vu do que um encontro produtivo. Convocada para esclarecer os altos índices de queimadas e desmatamento no país, Marina acabou virando o centro das atenções — mas não por boas razões. Deputados de diferentes partidos a confrontaram com firmeza, acusando-a de omissão, incoerência e de viver mais no mundo das ONGs do que na realidade dos brasileiros.

O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) foi direto ao ponto. Chamou Marina de “adestrada” e “mal-educada” e apontou que a ministra “nunca trabalhou, nunca produziu”, o que explicaria, segundo ele, sua histórica aversão ao agronegócio. “A senhora não sabe o que é prosperidade construída com suor. Seu discurso é colado ao de ONGs internacionais, e distante do povo que planta, colhe e gera riqueza de verdade neste país”, disparou o parlamentar.

Outros deputados engrossaram o coro. Para Zé Trovão (PL-SC), Marina é “uma vergonha como ministra”. Já Capitão Alberto Neto (PL-AM) sugeriu que ela deveria “pedir demissão” por não entregar resultados concretos. O presidente da Comissão de Agricultura, Rodolfo Nogueira (PL-MS), foi além: “A senhora virou símbolo de um fracasso ambiental. Sob sua gestão, o desmatamento na Amazônia aumentou 482%. Isso é número de escândalo, não de gestão.”

Marina, como de costume, preferiu a retórica religiosa ao embate técnico. Disse que fez uma “longa oração” antes da audiência e que está “em paz”. Afirmou que é melhor “receber injustiça do que praticar injustiça”. Mas o que os parlamentares cobravam ali não era paz, nem orações. Era responsabilidade e competência.

Não bastassem os números preocupantes do desmatamento, a degradação florestal deu um salto assombroso: 497% de aumento em 2024 em comparação ao ano anterior. Isso mesmo. E a resposta de Marina? Culpa do clima. Culpa de São Pedro. O problema é que, para quem governa, jogar a culpa no céu enquanto a floresta queima aqui embaixo é um insulto à inteligência da sociedade.

É verdade que houve redução no desmatamento bruto em 2023 e 2024, mas isso não anula o aumento recorde das queimadas e da degradação. Só no ano passado, 36 mil km² de floresta sofreram algum tipo de dano — uma área maior que o estado de Alagoas.

Em vez de enfrentar com clareza os dados e propor soluções práticas, a ministra parece mais preocupada com o tom das críticas. Quando foi chamada de “adestrada”, retrucou com indignação, mas evitou responder tecnicamente sobre o aumento das queimadas.

No fim de maio, ela abandonou uma sessão no Senado após ouvir do senador Plínio Valério (PSDB-AM) que, como mulher, merecia respeito — mas como ministra, não. Pode-se questionar o tom, mas não há como negar que a paciência com Marina Silva está se esgotando no Congresso. A ministra, que já foi símbolo de resistência ambiental, hoje é vista por muitos parlamentares como uma gestora desconectada da realidade, guiada por ideologia e discursos prontos.

No calor das críticas, Marina disse que prefere receber injustiças a praticá-las. Mas a injustiça maior talvez esteja sendo cometida contra o Brasil: um país que precisa urgentemente de uma política ambiental eficiente e responsável — não de frases feitas e lamentos públicos.

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