
🌎 Lula “interrompe” COP30 para correr à Colômbia em meio a tensão entre EUA e Venezuela
Enquanto Belém se prepara para abrir oficialmente a Cúpula do Clima, o presidente decide cruzar o continente para prestar “solidariedade” à Venezuela — e volta prometendo chegar a tempo do discurso de abertura.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai fazer uma breve pausa em sua agenda na COP30, em Belém, para embarcar rumo à Colômbia neste domingo (9). O destino é Santa Marta, cidade histórica na costa caribenha, onde ocorrerá a Cúpula Celac-União Europeia, encontro que promete mais tensão diplomática do que resultados práticos.
Lula, que está há uma semana no Pará, pretende voltar no mesmo dia para participar da abertura oficial da COP30, marcada para segunda-feira (10). A visita-relâmpago foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que disse que o presidente irá levar uma mensagem de “solidariedade regional à Venezuela”.
“O presidente sempre afirmou que a América Latina é uma região de paz e cooperação”, declarou o chanceler, em tom diplomático.
Mas o pano de fundo da viagem é bem mais espinhoso: a crescente tensão entre os Estados Unidos, sob Donald Trump, e o governo venezuelano de Nicolás Maduro. Os americanos enviaram navios de guerra para o Caribe, o que levou Lula a afirmar que o encontro “só faz sentido se for para discutir a presença dessas frotas na região”.
“Disse ao presidente Trump que a América Latina é uma zona de paz”, afirmou Lula, em entrevista a agências internacionais.
Cúpula esvaziada e clima tenso
A Cúpula Celac-União Europeia deve ocorrer com plateia reduzida. Dos 60 chefes de Estado esperados, poucos confirmaram presença — entre eles o próprio Lula, o espanhol Pedro Sánchez e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Líderes como Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen e o chanceler alemão Friedrich Merz cancelaram a ida, oficialmente por “problemas de agenda”. Mas diplomatas europeus admitem: o clima de instabilidade na América Latina e a falta de consenso sobre os rumos das relações com os EUA esfriaram o entusiasmo.
Além disso, a posse do novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, marcada para a véspera do evento, desviou a atenção de vários líderes regionais. O vice-presidente Geraldo Alckmin representará o Brasil na cerimônia.
Ironia do destino
Enquanto o mundo se reúne em Belém para debater a transição verde e o futuro climático do planeta, Lula faz uma pausa “estratégica” para intervir em um conflito geopolítico que ameaça justamente a paz na região que ele diz querer proteger.
É a clássica ironia da política internacional: entre discursos sobre o meio ambiente e gestos de solidariedade, o presidente brasileiro tenta equilibrar duas frentes — a diplomacia da floresta e a diplomacia da crise — como quem corre entre dois incêndios esperando apagar ambos com palavras.