
đ° Na COP30, Lula volta a mirar os super-ricos: âQuem polui mais, deve pagar maisâ
Em discurso carregado de apelos morais e polĂticos, o presidente defendeu um imposto global sobre fortunas e corporaçÔes, cobrando mais responsabilidade dos paĂses ricos e das grandes empresas que lucram com o planeta em chamas.
Durante a cĂșpula de lĂderes da COP30, em BelĂ©m, o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva retomou uma de suas bandeiras preferidas: a taxação dos super-ricos e das multinacionais que, segundo ele, lucram enquanto o mundo sofre as consequĂȘncias das mudanças climĂĄticas.
âO 0,1% mais rico do planeta emite, em um Ășnico dia, mais carbono do que metade da população mundial em um ano inteiroâ, afirmou Lula, em tom indignado. âĂ legĂtimo exigir que essas pessoas contribuam mais.â
O presidente defendeu que parte das soluçÔes climĂĄticas passa por um imposto global sobre grandes fortunas e uma taxa mĂnima sobre corporaçÔes multinacionais, que, de acordo com ele, poderiam gerar recursos significativos para açÔes ambientais.
âMultilateralismo ou colapsoâ
Lula discursou na Ășltima sessĂŁo da cĂșpula de lĂderes, reforçando que a saĂda para a crise climĂĄtica deve ser coletiva. Sem citar nomes, o petista mandou recados aos ausentes â entre eles, Donald Trump e Javier Milei, crĂticos das pautas ambientais.
âNĂŁo existe solução fora do multilateralismo. A Terra Ă© Ășnica. A humanidade Ă© uma sĂłâ, disse Lula, pedindo uniĂŁo global e criticando o que chamou de âdiscurso vazioâ dos paĂses desenvolvidos.
O presidente ainda reclamou que a ajuda financeira prometida aos paĂses pobres nĂŁo chega como deveria.
âA maior parte do dinheiro Ă© oferecida como emprĂ©stimo. NĂŁo faz sentido pedir que os paĂses em desenvolvimento paguem juros para combater o aquecimento global. Isso Ă© injusto e imoralâ, disparou.
O déjà -vu das promessas
NĂŁo Ă© a primeira vez que Lula traz o tema Ă tona em palcos internacionais. Em junho, durante o G7, ele jĂĄ havia proposto uma taxação global de 2% sobre o patrimĂŽnio dos super-ricos, com a justificativa de financiar polĂticas ambientais e sociais. Segundo cĂĄlculos do governo, a medida renderia US$ 250 bilhĂ”es por ano.
A proposta ecoa o discurso que o Brasil tem defendido no G20, sob o argumento de que a desigualdade fiscal Ă© tambĂ©m uma forma de injustiça climĂĄtica. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a conseguir o apoio de paĂses como Estados Unidos e França Ă ideia de um imposto global.
Ironia verde
Enquanto BelĂ©m ferve sob o calor amazĂŽnico e as promessas ecoam pelos microfones da COP30, Lula tenta equilibrar a retĂłrica de justiça social com a polĂtica real â aquela em que o petrĂłleo ainda financia a transição energĂ©tica e o luxo dos bilionĂĄrios segue blindado por paraĂsos fiscais.
Entre discursos sobre solidariedade climĂĄtica e contas bancĂĄrias planetĂĄrias, o presidente brasileiro parece repetir o velho dilema: quem fala em nome do povo contra os ricos, mas ainda depende deles para financiar o sonho de um mundo mais justo.