
đ Maduro ironiza fama de ditador: âNĂŁo fui formado em Harvard, fui criado nos bairros de Caracasâ
Durante discurso na TV estatal, o presidente venezuelano rebate crĂticas internacionais e acusa os EUA de âformarâ os verdadeiros ditadores da AmĂ©rica Latina.
O presidente da Venezuela, NicolĂĄs Maduro, voltou a desafiar o rĂłtulo de âditadorâ que o acompanha hĂĄ anos â desta vez, com uma pitada de ironia. Durante um discurso exibido pela TV estatal no Ășltimo domingo (3), o lĂder venezuelano debochou das crĂticas internacionais, dizendo que, ao contrĂĄrio de muitos polĂticos latino-americanos, ânĂŁo foi formado nem na Escola das AmĂ©ricas nem em Harvardâ, instituiçÔes ligadas aos Estados Unidos.
âComo posso ser um ditador se nĂŁo estudei em Harvard, em Langley ou em West Point?â, questionou Maduro, entre risos. âFui formado nos colĂ©gios de Caracas, nos bairros de El Valle, 23 de Enero, Catia, Propatria e El Cementerio.â
A declaração, carregada de sarcasmo, foi uma tentativa de revidar as acusaçÔes de fraude eleitoral que marcaram sua Ășltima vitĂłria nas urnas â uma eleição contestada por opositores e por governos estrangeiros, que apontam falta de transparĂȘncia e manipulação dos resultados.
Ao citar a Escola das AmĂ©ricas, famosa por treinar militares latino-americanos durante a Guerra Fria, Maduro sugeriu que os Estados Unidos teriam sido os verdadeiros responsĂĄveis por âformar ditadoresâ na regiĂŁo. âEles Ă© que criaram os autoritĂĄrios que governaram nossos povos com sangue e repressĂŁoâ, afirmou, tentando inverter a narrativa de isolamento que cerca seu regime.
Nos bastidores, porĂ©m, a âfamaâ de Maduro vai muito alĂ©m da retĂłrica. Para o governo norte-americano, o presidente venezuelano Ă© acusado de liderar o Cartel de Los Soles, uma organização envolvida no trĂĄfico internacional de drogas. Washington chegou a classificĂĄ-lo como lĂder de uma entidade terrorista, oferecendo recompensas por sua captura e mobilizando forças navais no Caribe para pressionar seu governo.
Entre o humor e o desafio, o discurso de Maduro soa como um recado: ele segue disposto a se pintar como vĂtima do impĂ©rio norte-americano, mesmo enquanto enfrenta denĂșncias de corrupção, autoritarismo e perseguição polĂtica dentro de seu prĂłprio paĂs.