
💣 “Vivemos um Estado de Guerra”: secretário do Rio admite que o crime tomou conta e denuncia abandono federal
Victor Santos afirma que o Rio luta sozinho contra o crime organizado e cobra união entre Estado, prefeitura e União diante do caos imposto pelo Comando Vermelho
O Rio de Janeiro está em guerra — e a frase não é força de expressão. O próprio secretário de Segurança Pública, Victor Santos, usou essas palavras para descrever o cenário de caos vivido pela capital nesta terça-feira (28). Em entrevista à TV Globo, ele reconheceu que o Estado não tem condições de enfrentar sozinho o poder armado das facções, que transformaram favelas inteiras em fortalezas.
Segundo o secretário, o governo do Rio já havia pedido ajuda federal em operações anteriores, mas o pedido foi ignorado. Enquanto isso, os criminosos se sofisticam: lançam bombas por drones, controlam comunidades e desafiam as forças de segurança em plena luz do dia.
“São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem. Bairros inteiros dominados. Becos onde é impossível patrulhar. E agora eles estão usando drones com explosivos contra policiais e civis. É um Estado de Guerra”, declarou Santos.
Sozinhos contra um exército criminoso
O secretário fez um apelo contundente: “Sozinho, ninguém consegue fazer nada.”
Com quase 1.900 favelas, 600 fuzis apreendidos e uma das populações mais densas do país, o Rio enfrenta um desafio que ultrapassa qualquer limite estadual. “O Estado vem fazendo esse combate sozinho há anos. É urgente que o governo federal e as prefeituras se unam, sem ideologia, para salvar vidas”, reforçou.
A fala veio em meio à megaoperação Contenção, a maior da história do Rio, que já deixou 64 mortos e 81 presos, incluindo criminosos de outros estados. O Comando Vermelho, em retaliação, lançou bombas por drones e incendiou ônibus em diversas vias da capital.
Castro lamenta o abandono e denuncia silêncio de Brasília
Em coletiva, o governador Cláudio Castro também não poupou críticas:
“Nossas polícias estão sozinhas. É uma operação maior que a de 2010, e mesmo assim não temos o apoio das forças federais. Nenhum blindado, nenhum agente. Estamos enfrentando o maior poder criminoso da história com recursos próprios.”
Castro afirmou que não pediu ajuda nesta nova operação porque o Estado já sofreu três negativas anteriores do governo federal.
“Já entendemos que a política é de não ceder. Dizem que precisa de GLO, que vão emprestar blindados, depois voltam atrás. O presidente já declarou ser contra. Então seguimos com o que temos — sem chorar pelos cantos, mas com a consciência de que o Rio foi deixado sozinho.”
O retrato da guerra urbana
As forças de segurança, mesmo isoladas, mobilizaram tudo o que têm: drones, helicópteros, blindados e equipes de elite da PM e da Polícia Civil. A operação busca capturar líderes do Comando Vermelho, que se espalharam por 26 comunidades entre os complexos do Alemão e da Penha.
O Ministério Público denunciou 67 pessoas por associação ao tráfico e outras por tortura. Entre os nomes está Edgar “Doca”, apontado como um dos principais articuladores da facção.
O repúdio que o país precisa ouvir
É revoltante ver o Estado mais icônico do Brasil entregue à própria sorte, enquanto criminosos aterrorizam a população com armas de guerra e ataques por drones. O Rio, símbolo de cultura e resistência, hoje vive sob o som de tiros e sirenes.
A fala do secretário ecoa como um grito sufocado: o crime organizado não é um problema de um estado — é uma ameaça nacional. Ignorá-lo é compactuar com o medo.
O povo fluminense não pode continuar pagando com o sangue o preço da omissão política.
O Rio pede socorro — e o silêncio é cúmplice.