💰 Demissão com Mesada

💰 Demissão com Mesada

✊ A esquerda que demite hoje, mas paga por seis meses

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No Brasil oficial, perder o cargo nĂŁo significa exatamente perder o salĂĄrio. Pelo menos nĂŁo quando a demissĂŁo acontece nos corredores do poder. Ao assumir a Secretaria-Geral da PresidĂȘncia, sob os aplausos do presidente Lula, o novo ministro Guilherme Boulos decidiu trocar a equipe — mas sem abrir mĂŁo da velha generosidade com o dinheiro pĂșblico.

Resultado? Dois ex-secretĂĄrios demitidos continuarĂŁo recebendo salĂĄrio por mais seis meses, religiosamente pagos pelo contribuinte que, esse sim, nĂŁo tem direito a quarentena remunerada.

Os beneficiados da vez sĂŁo Ronald Luiz dos Santos, conhecido como Ronald “Sorriso”, e Renato SimĂ”es, ex-secretĂĄrios de Juventude e de Participação Social. Mesmo fora do cargo, ambos foram contemplados com a chamada quarentena remunerada, um elegante nome burocrĂĄtico para algo bem simples: nĂŁo trabalhar e continuar recebendo.

A justificativa Ă© evitar “conflito de interesses”. Curioso, porque o conflito maior parece ser sempre entre o discurso e a prĂĄtica. Enquanto se fala em combate a privilĂ©gios, o Estado segue bancando salĂĄrios sem trabalho, tudo dentro da mais absoluta legalidade — aquela mesma legalidade que sĂł funciona bem para quem estĂĄ perto do poder.

Os dois ex-secretĂĄrios atĂ© tentaram buscar novas oportunidades no setor privado. Sorriso recebeu proposta para atuar como consultor em polĂ­ticas pĂșblicas para juventude. SimĂ”es foi sondado por um escritĂłrio de advocacia. Mas a ComissĂŁo de Ética PĂșblica disse “calma lá”: melhor ficar parado, em casa, recebendo salĂĄrio pĂșblico, do que correr o risco de trabalhar.

E assim seguimos assistindo à esquerda da austeridade no discurso e da ostentação na pråtica. Para o cidadão comum, vale o aperto de cinto. Para os aliados, vale a estabilidade estendida, o contracheque garantido e a tranquilidade financeira bancada por quem acorda cedo e paga imposto.

Tudo isso sob o mesmo governo que promete responsabilidade fiscal, justiça social e combate aos privilégios. Na teoria, um projeto popular. Na pråtica, mais um capítulo do Brasil onde sair do cargo não significa sair da folha de pagamento.

Porque, afinal, no país do faz de conta político, até a demissão vem com bÎnus.

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