
đ° Publicidade oficial ou financiamento polĂtico disfarçado?
Globo leva quase meio bilhão do governo Lula e concentração de verba levanta indignação
Enquanto o brasileiro aperta o cinto, o governo Lula parece nĂŁo economizar quando o assunto Ă© publicidade â especialmente quando o dinheiro pĂșblico vai parar no caixa da velha aliada de sempre. Levantamento com dados oficiais mostra que o Grupo Globo abocanhou cerca de R$ 462 milhĂ”es em verbas de propaganda do governo federal neste terceiro mandato petista, ficando com quase metade de tudo o que foi gasto em anĂșncios na TV.
NĂŁo se trata de detalhe tĂ©cnico, mas de um padrĂŁo polĂtico. Dos recursos distribuĂdos pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), ministĂ©rios e ĂłrgĂŁos do Executivo, 49,4% foram direcionados Ă Globo, enquanto outras emissoras ficaram com as sobras.
đș A conta fecha sempre no mesmo lugar
Os nĂșmeros falam por si:
- 2023: R$ 345 milhĂ”es gastos em publicidade na TV â R$ 175,5 milhĂ”es ficaram com a Globo
- 2024: de R$ 351,9 milhÔes, a emissora levou R$ 169,8 milhÔes
- 2025 (parcial): R$ 236,9 milhĂ”es investidos â R$ 116,3 milhĂ”es jĂĄ foram para o mesmo grupo
No total, sĂŁo R$ 461,5 milhĂ”es corrigidos pela inflação, mais que o dobro do que a Globo recebeu durante todo o governo Bolsonaro. Naquele perĂodo, a participação da emissora nunca passou de 30% e a divisĂŁo entre Globo, Record e SBT era muito mais equilibrada.
Com Lula, o favoritismo voltou com força total.
đŁïž Imprensa militante premiada
NĂŁo Ă© coincidĂȘncia que apenas a Globo tenha ampliado sua fatia da verba federal. Record, SBT e Band perderam espaço, enquanto o grupo que mais defende o governo em sua linha editorial foi amplamente recompensado.
Ă difĂcil nĂŁo enxergar nisso um uso polĂtico da publicidade estatal, onde o dinheiro do contribuinte serve para fortalecer uma narrativa favorĂĄvel ao poder. Na prĂĄtica, o governo financia quem o defende â e marginaliza quem nĂŁo reza pela mesma cartilha.
đ Internet cresce, mas o bolo segue concentrado
A televisĂŁo ainda lidera os gastos, com quase metade da verba publicitĂĄria, mas os anĂșncios digitais dispararam em 2025, especialmente apĂłs a chegada de SidĂŽnio Palmeira ao comando da Secom. Big techs como Google e Meta tambĂ©m viram seus repasses crescerem mais de 130% em um ano.
Mesmo assim, a concentração segue evidente: a Secom controlou mais de 69% de toda a verba publicitĂĄria federal em 2025, centralizando decisĂ”es e reforçando o controle polĂtico da comunicação oficial.
đ« RepĂșdio ao uso do dinheiro pĂșblico
O governo afirma que tudo segue âcritĂ©rios tĂ©cnicosâ. Mas quando quase metade da verba vai para um Ășnico grupo historicamente alinhado ao PT, o discurso perde credibilidade.
Publicidade institucional deveria informar a população, nĂŁo financiar imprensa militante, comprar simpatia editorial ou premiar aliados ideolĂłgicos. O que se vĂȘ Ă© a repetição de um velho mĂ©todo: usar o dinheiro do povo para sustentar quem ajuda a manter o poder.
đ NĂŁo Ă© comunicação pĂșblica. Ă propaganda polĂtica paga com o bolso do contribuinte.