
💸 COP30 sob neblina: R$ 2,8 bilhões em obras e quase nenhuma transparência
Estudo aponta que governos federal, estadual e municipal esconderam informações sobre licenciamento, contratos e participação social nas obras da conferência climática em Belém.
Um levantamento da Transparência Internacional acendeu o alerta para a falta de clareza nos gastos bilionários destinados às obras da COP30, prevista para ocorrer em Belém (PA).
Divulgado nesta segunda-feira (3), o estudo revela que R$ 2,8 bilhões foram distribuídos entre 23 empreendimentos — mas os dados sobre licenciamento ambiental, convênios e contratações permanecem, em grande parte, fora do alcance do público.
Das 23 obras analisadas, 20 estão sob responsabilidade direta do governo do Pará e da Prefeitura de Belém, financiadas com recursos da União, BNDES e Itaipu Binacional. Entre os projetos mais caros estão o Parque Linear Doca, orçado em R$ 365,8 milhões, e a ampliação da Rua da Marinha, que deve custar R$ 248,5 milhões.
Há ainda um contrato de R$ 250 milhões com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) para erguer estruturas temporárias nas áreas da conferência.
Segundo Renato Morgado, gerente de projetos da Transparência Internacional, o que mais preocupa é o apagão de dados sobre licenciamento ambiental, justamente em um evento voltado ao combate à crise climática.
“A transparência é insuficiente e a participação social simplesmente não foi priorizada”, afirmou.
O estudo também aponta que BNDES e Itaipu — responsáveis por financiar 21 das 23 obras — não divulgaram os valores exatos repassados em cada fase, o que torna impossível acompanhar a execução dos orçamentos.
Além disso, não há registros públicos de audiências ou consultas populares, e as bases de dados disponíveis não estão em formato aberto, o que dificulta o trabalho da imprensa e de órgãos de controle.
Na prática, o que deveria ser um evento símbolo da sustentabilidade acaba cercado por sombras administrativas, onde a transparência é tratada como um luxo, não uma obrigação.
Apesar das falhas, o relatório reconhece alguns avanços pontuais: todos os entes criaram páginas específicas sobre a COP30, com informações básicas.
O governo do Pará divulgou licitações e contratos da maioria dos projetos, e a Prefeitura de Belém publicou dados completos das obras sob sua gestão.
Já o governo federal apresentou convênios com a OEI, detalhando despesas e contratos firmados.
Mesmo assim, o saldo é amargo: a COP30, que deveria ser vitrine de transparência e sustentabilidade, começa cercada por névoas de omissão e burocracia.