Lula elogia Alckmin e reescreve o passado como se nada tivesse acontecido

Lula elogia Alckmin e reescreve o passado como se nada tivesse acontecido

Vice exaltado como “exemplo de experiência”, apesar do histórico de críticas, rivalidade antiga e silêncio quando Lula deixa o país

Em mais um discurso que mistura conveniência política com amnésia seletiva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu exaltar o vice-presidente Geraldo Alckmin como se fossem aliados de longa data — quase irmãos de caminhada. Segundo Lula, Alckmin teria mais experiência prática do que qualquer empresário brasileiro. Um elogio generoso, quase épico, feito durante a inauguração da nova sede da ApexBrasil, em Brasília.

A fala, no entanto, soa irônica para quem tem memória. Afinal, até ontem, Lula e Alckmin se tratavam como adversários ferrenhos. Houve troca de farpas, acusações duras e críticas públicas — inclusive de Alckmin, que no passado não economizou palavras ao associar Lula a escândalos de corrupção. Hoje, tudo isso parece convenientemente varrido para baixo do tapete vermelho do Planalto.

Lula disse que escolheu Alckmin não por discursos teóricos, mas pela tal “vivência política”. Curioso é que essa experiência toda nunca levou o vice a assumir a Presidência nem por um dia, mesmo quando Lula deixou o país em viagens internacionais. Um vice sempre à sombra, elogiado como peça-chave, mas mantido longe do volante.

No discurso, Lula ainda ironizou empresários, dizendo que muitos sabem falar bonito, mas nunca executaram nada. Já Alckmin, segundo ele, seria o oposto: alguém que sabe fazer. A pergunta que fica é simples: se é tão bom assim, por que nunca teve espaço real para comandar?

O presidente fez questão de lembrar a passagem de Alckmin pelo governo de São Paulo, vendendo a ideia de que administrar o estado mais rico do país credencia automaticamente alguém a liderar o desenvolvimento nacional. O problema é que, nesse roteiro, não há espaço para contradições, nem para o passado recente em que ambos se atacavam sem pudor.

No fim, o elogio soa menos como reconhecimento sincero e mais como arranjo político embalado em discurso bonito. Uma tentativa de transformar antigos inimigos em parceiros exemplares — como se o público não lembrasse das críticas, das acusações e da rivalidade que, ao que tudo indica, só dormiu. Não morreu.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags