
📉 Lula mantém reprovação alta mesmo após embate com Trump
Datafolha mostra que presidente não ganhou apoio extra com crise diplomática; governo segue com 40% de rejeição e 29% de aprovação.
O tão esperado impulso na popularidade de Lula (PT) depois da troca de farpas com Donald Trump não veio. Segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 29 e 30 de julho, o presidente mantém números praticamente congelados: 40% dos brasileiros reprovam sua gestão, enquanto apenas 29% a aprovam — uma variação mínima em relação ao levantamento anterior.
A tensão com o republicano começou quando Trump impôs sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros, poupando apenas setores estratégicos para a própria economia. O ex-presidente americano ainda insinuou que poderia rever as medidas caso o Judiciário brasileiro encerrasse o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) pela tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022. Trump chegou a atacar diretamente o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso.
Lula reagiu no tom nacionalista: chamou de “traidores da pátria” não só a família Bolsonaro, mas também aliados que podem se projetar como nomes fortes da direita para 2026, como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Usou bonés e frases patrióticas nas redes, e a equipe do Planalto tentou transformar o embate em combustível político, chegando a lançar a hashtag “Trump arregou” quando o americano anunciou exceções ao tarifaço.
Apesar do barulho, os números não mexeram. A aprovação de Lula continua praticamente igual à de junho, quando ele já enfrentava desgaste — em fevereiro, havia sofrido uma queda histórica, de 35% para 24% de ótimo/bom. Hoje, a rejeição do presidente é bem menor que a registrada por Bolsonaro no mesmo período do mandato, mas ainda é um alerta para o Planalto.
Analistas avaliam que, se houve algum “presente” de Trump, ele ainda não foi aberto. Talvez nem exista. O fato é que, por enquanto, a crise serviu mais para manter Lula no centro das atenções do que para virar o jogo da opinião pública.