
đ„ TragĂ©dia em Hong Kong: prĂ©dios viram tochas e famĂlias lutam para reconhecer vĂtimas
Time-lapse revela força das chamas enquanto nĂșmero de mortos sobe para 128 â e autoridades enfrentam acusaçÔes de negligĂȘncia
Um vĂdeo em time-lapse escancarou o que moradores de Hong Kong viveram na pele: o fogo que tomou conta do conjunto residencial Wang Fuk Court agiu como um monstro descontrolado, consumindo oito torres de 31 andares em poucas horas.
O que restou foi desespero, fumaça e um nĂșmero que dĂłi sĂł de pronunciar: 128 mortos.
E o pior â mais de 80 desses corpos ainda nĂŁo puderam sequer ser identificados.
As autoridades da cidade chinesa classificaram o episĂłdio como o pior incĂȘndio em dĂ©cadas. Em coletiva, enviaram condolĂȘncias, mas a dor das famĂlias e a indignação tomam conta das ruas. Ainda hĂĄ desaparecidos, e 79 pessoas seguem feridas, algumas em estado grave.
đš PrisĂ”es e suspeita de negligĂȘncia: a tragĂ©dia que poderia ter sido evitada
A polĂcia prendeu dois diretores e um consultor da empreiteira responsĂĄvel pela reforma dos prĂ©dios.
HĂĄ uma suspeita que revolta qualquer um: os andaimes de bambu, tradicionalmente usados na construção, podem ter funcionado como um âpavioâ gigante, espalhando as chamas rapidamente, impulsionadas por redes de plĂĄstico inflamĂĄvel.
A superintendente de polĂcia, Eileen Chung, foi direta:
âTemos motivos para acreditar que houve negligĂȘncia extrema, o que permitiu que o fogo se espalhasse sem controle e causasse tantas mortes.â
Uma declaração pesada â mas insuficiente diante da tragĂ©dia sem precedentes.
đą Um condomĂnio gigantesco, tomado pelo fogo
O Wang Fuk Court abrigava cerca de 4,6 mil pessoas, quase metade delas idosos.
Na madrugada que virou pesadelo, o fogo percorreu torres inteiras, deixando um rastro de destruição que ainda estå sendo calculado.
Bombeiros sĂł conseguiram controlar os Ășltimos focos mais de 24 horas depois, enquanto moradores, sem notĂcia de parentes, vagavam pelo entorno dos prĂ©dios olhando para cima, como se esperassem que alguma resposta surgisse das janelas queimadas.
đ âPerdemos tudo. O que sobrou para nĂłs?â
Uma moradora de 51 anos resumiu o sentimento coletivo:
âCompramos este apartamento hĂĄ mais de 20 anos. Tudo o que tĂnhamos estava lĂĄ. Agora queimou tudo. O que vamos fazer?â
Outros relataram que os alarmes nĂŁo tocaram, e que tiveram que correr pelos corredores batendo de porta em porta para avisar vizinhos â um retrato doloroso da falha do sistema que deveria proteger vidas.
Um dos moradores contou:
âFoi no grito. Campainha, porta, aviso⊠salvamos quem conseguimos.â
đ Abrigos lotados e ajuda emergencial
Diante do caos, o governo realocou 500 pessoas em abrigos improvisados em quadras e escolas, e reservou mais de mil quartos em hotéis e albergues.
O Executivo de Hong Kong anunciou ainda um fundo emergencial de 300 milhÔes de dólares de Hong Kong (cerca de R$ 205 milhÔes), com apoio direto de HK$ 10 mil (R$ 6,8 mil) por morador afetado.
Mas o dinheiro nĂŁo apaga o trauma.
âEstamos vivendo uma dor coletivaâ, disse John Lee, chefe do Executivo de Hong Kong. âPrecisamos superar juntos.â
đ Governo promete inspeçÔes e debate sobre fim dos andaimes de bambu
Após a tragédia, o governo anunciou:
- inspeção imediata em todos os prédios em reforma;
- debate pĂșblico sobre substituição dos andaimes de bambu;
- suspensĂŁo de eventos pĂșblicos e campanhas eleitorais.
As eleiçÔes legislativas, previstas para 7 de dezembro, podem até ser adiadas.
A cidade pede respostas â e, principalmente, justiça.