
đŁïž STF derruba leis que proibiam linguagem neutra em escolas
Supremo reforça que sĂł o governo federal pode decidir sobre as regras da lĂngua portuguesa no ensino
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular leis municipais dos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais que proibiam o uso da linguagem neutra em escolas. Segundo os ministros, legislar sobre as normas da lĂngua portuguesa Ă© uma atribuição exclusiva da UniĂŁo, ou seja, nenhum estado ou municĂpio pode definir regras prĂłprias sobre isso.
A decisĂŁo foi tomada em plenĂĄrio virtual e teve como relator o ministro AndrĂ© Mendonça, que defendeu a inconstitucionalidade das leis locais. Para ele, Ă© papel do governo federal estabelecer diretrizes sobre o uso e o ensino da lĂngua oficial no paĂs. A maioria dos ministros concordou com esse entendimento, incluindo Alexandre de Moraes, CĂĄrmen LĂșcia, FlĂĄvio Dino, Edson Fachin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
Mendonça tambĂ©m sugeriu uma tese geral para o caso: qualquer lei estadual ou municipal que tente regulamentar o ensino da lĂngua portuguesa Ă© inconstitucional. A proposta visa criar um padrĂŁo para decisĂ”es futuras sobre o mesmo tema, jĂĄ que hĂĄ uma crescente onda de projetos locais tentando barrar o uso da linguagem neutra nas salas de aula.
đłïž DivergĂȘncias no voto
Apesar da ampla maioria, o ministro Cristiano Zanin discordou da tese principal. Ele argumentou que os municĂpios deveriam ter autonomia para estabelecer diretrizes no contexto da educação local, desde que sigam os parĂąmetros oficiais da lĂngua, como o VocabulĂĄrio OrtogrĂĄfico da LĂngua Portuguesa (VOLP) e as normas da CPLP.
Mesmo assim, Zanin votou contra puniçÔes a professores ou estudantes por usarem formas alternativas de linguagem, posição que foi acompanhada também pelo ministro Nunes Marques.
đ€ O que Ă© linguagem neutra?
A linguagem neutra propĂ”e formas de se comunicar que nĂŁo reforcem estereĂłtipos de gĂȘnero, buscando incluir pessoas que nĂŁo se identificam como homens ou mulheres. O uso Ă© mais comum na escrita, com substituiçÔes de letras â como “x”, “@” ou “e” â para evitar a diferenciação entre masculino e feminino. Segundo o linguista Luiz Carlos Schwindt, da UFRGS, toda linguagem carrega marcas culturais, histĂłricas e sociais â por isso, adaptar a forma como falamos pode ser um passo importante para a inclusĂŁo.