73% dos brasileiros querem classificar facções como terroristas, mostra pesquisa Quaest

73% dos brasileiros querem classificar facções como terroristas, mostra pesquisa Quaest

Levantamento também aponta que 86% acreditam que polícia prende, mas Justiça solta por legislação fraca — debate sobre o PL Antifacção esquenta no Congresso

A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12), revela uma opinião pública tensa e pressionada pela sensação de insegurança: 73% dos entrevistados defendem que organizações criminosas sejam tratadas como grupos terroristas. Apenas 20% discordaram dessa ideia; 7% não souberam ou preferiram não responder.

Foram ouvidas 2.004 pessoas em 120 municípios, entre 6 e 9 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais (para mais ou para menos) e o nível de confiança do levantamento é de 95%.

Outra conclusão contundente: 86% dos entrevistados concordam com a afirmação de que “a polícia prende bandidos, mas a Justiça os solta porque a legislação é fraca”. Só 11% discordaram; 1% ficou neutro e 2% não souberam responder. Esses números mostram como a percepção de impunidade alimenta a demanda por medidas mais duras.

Os dados chegaram em um momento em que o PL Antifacção, relatado por Guilherme Derrite (PP-SP), está em discussão na Câmara. A proposta pretende endurecer a Lei das Organizações Criminosas — entre as mudanças sugeridas estão o aumento das penas e a criação da figura de “organização criminosa qualificada” para casos de domínio territorial por meio da violência, com pena máxima de até 15 anos.

Ao apresentar substitutivos, Derrite chegou a equiparar, em trechos, crimes cometidos por terroristas, grupos paramilitares, milícias e organizações criminosas — uma medida que gerou reação. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, chegou a advertir que essa equiparação traz “grave risco à soberania nacional”.

Diante das críticas, o relator anunciou ajustes e prepara uma nova versão do parecer — já a terceira — enquanto o projeto segue na pauta da Câmara e pode ir à votação nos próximos dias.

Em resumo: a opinião pública empilha pressão por respostas mais duras contra o crime, e o Legislativo tenta alinhar — com polêmica — o arcabouço legal a essa demanda.

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