
E-mails de Epstein citam Lula em ligação feita “da prisão”
Documentos do Congresso dos EUA revelam que o financista mencionou o ex-presidente em troca de mensagens envolvendo Noam Chomsky
Um novo lote de documentos ligados ao bilionário Jeffrey Epstein, condenado por operar uma rede de abuso sexual, trouxe uma referência inesperada ao nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os milhares de e-mails divulgados por um comitê da Câmara dos EUA, um deles — datado de 21 de setembro de 2018 — registra Epstein comentando que teria sido colocado em contato com Lula por intermédio do linguista americano Noam Chomsky.
Em inglês, Epstein escreveu:
“Chomsky me conectou com o Lula. Da prisão. Que mundo.”
A data do e-mail coincide exatamente com a visita que Chomsky fez a Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba, um dia antes da mensagem. Naquele período, o petista cumpria pena enquanto Jair Bolsonaro disputava a campanha presidencial.
Governo nega ligação, mas não esclarece relação com Epstein
Ao ser questionada, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que “a citada ligação nunca aconteceu”. O governo, porém, não comentou se Lula conhecia Epstein anteriormente ou se algum encontro ocorreu em outro momento.
Chomsky, por sua vez, manteve laços com Epstein por anos, aparecendo inclusive em registros de voo e trocando mensagens sobre assuntos financeiros pessoais.
Outra série de e-mails também cita Lula e menciona Bolsonaro como “o cara”
Em outro conjunto de documentos, divulgado pelo g1, Epstein reaparece falando de Lula — desta vez num diálogo em que o interlocutor não é identificado. Ele reafirma a suposta ligação e, no mesmo fio de conversa, elogia Bolsonaro:
- “Chomsky me ligou com o Lula. Da prisão.”
- “Bolsonaro é o cara.”
A troca ocorreu em setembro de 2018, quando Lula ainda estava detido e Bolsonaro tentava chegar ao Planalto.
Contexto maior: e-mails pressionam governo Trump
Toda essa documentação veio a público após democratas divulgarem e-mails que sugerem que o então presidente Donald Trump tinha conhecimento dos abusos cometidos por Epstein. Republicanos responderam liberando novos arquivos — daí a menção a Lula vir à tona.
Entre mais de 20 mil páginas, há mensagens sobre encontros, pedidos de favores, conversas com Ghislaine Maxwell e até relatos de vítimas, cujo conteúdo acende novamente o escândalo em torno de Epstein e seu círculo de influência.
Trump reagiu dizendo que tudo não passa de “armadilha” política, enquanto sua porta-voz afirma que nenhuma das acusações envolve conduta ilegal do presidente.