A Caçada Contra Ramagem

A Caçada Contra Ramagem

Deputado vira símbolo de resistência enquanto STF reage com truculência e pressa incomum.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão preventiva de Alexandre Ramagem (PL-RJ) reacende um debate que o país insiste em evitar: até onde vai o poder de um tribunal que escolheu transformar divergências políticas em casos de polícia?

Condenado a 16 anos por um julgamento que muitos consideram mais político do que jurídico, Ramagem virou alvo de uma operação que parece mais interessada em fazer demonstração de força do que em garantir justiça. Ainda assim, manteve-se firme, recusando-se a aceitar passivamente uma punição que sempre contestou publicamente.

A narrativa oficial fala em “fuga”. Mas para muita gente, o que aconteceu foi simplesmente o reflexo de um sistema que não oferece garantias mínimas a quem enfrenta o establishment. Ramagem deixou o país sob pressão, sim — mas também como forma de denunciar um processo que, desde o começo, levantou dúvidas e estranhamentos.

Agora, com o deputado nos Estados Unidos, Moraes quer incluí-lo na lista vermelha da Interpol, como se fosse um criminoso internacional, enquanto boa parte da população enxerga nele alguém que se recusa a se dobrar a decisões vistas como abusivas.

Ramagem sempre negou qualquer participação em trama golpista, e nunca escondeu seu descontentamento com o rumo do julgamento. Seus críticos o apontam como vilão; seus apoiadores o veem como alguém que não aceita ser triturado por um sistema que escolhe alvos com precisão seletiva.

O episódio expõe mais uma vez a enorme distância entre a Justiça que o Brasil diz ter e a que realmente pratica. No final, a pergunta que fica é simples: quando um cidadão — ainda mais um parlamentar eleito — precisa atravessar fronteiras para tentar garantir seu próprio direito de defesa, quem está realmente falhando?

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