A saída de Eduardo Bolsonaro e a estratégia de atuação no exterior

A saída de Eduardo Bolsonaro e a estratégia de atuação no exterior

Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em março de 2025 e passou a viver nos Estados Unidos. A decisão ocorreu em meio ao avanço das investigações contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e à crescente tensão entre integrantes da família Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal.

Naquele momento, Eduardo afirmou que pretendia atuar junto ao governo americano e a lideranças políticas internacionais para denunciar o que considerava abusos do Judiciário brasileiro e buscar medidas de pressão contra autoridades envolvidas nos processos contra seu pai, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.

A estratégia teve repercussão internacional. O governo de Donald Trump adotou medidas contra autoridades brasileiras, incluindo restrições de vistos e sanções contra Moraes pela Lei Magnitsky, posteriormente retiradas. A atuação de Eduardo foi apontada pelo STF como uma tentativa de pressionar instituições brasileiras e interferir no andamento dos processos judiciais. Em junho de 2026, ele foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, decisão que teve recursos rejeitados em setembro.

Eduardo também perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, após ausências nas sessões da Câmara, e foi demitido do cargo de escrivão da Polícia Federal em setembro de 2026, por abandono de cargo.

O papel de Eduardo na trajetória política de Flávio

A atuação de Eduardo voltou a ganhar destaque depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno presidencial de 25 de outubro de 2026.

Dias antes da votação, Eduardo declarou, em entrevista ao podcast americano Louder with Crowder, que defendia que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, afirmou.

A declaração ganhou importância porque foi mencionada pelo ministro Alexandre de Moraes ao determinar medidas contra Flávio, incluindo a entrega dos passaportes e a proibição de deixar o território nacional. Flávio negou que pretendesse sair do Brasil e afirmou que entregaria os documentos e organizaria a oposição ao governo Lula.

Posteriormente, porém, a Polícia Federal informou que o senador cruzou a fronteira com a Argentina em 27 de outubro e embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas. A aeronave passou pelo Equador e chegou a Miami na manhã do dia 28. Segundo a PF, não havia registro de passagem da família pelos postos oficiais de controle migratório brasileiros.

O mérito político e a articulação dos irmãos

Do ponto de vista dos apoiadores da família Bolsonaro, Eduardo merece reconhecimento por ter levado o embate político brasileiro ao cenário internacional e buscado apoio de lideranças estrangeiras. Sua iniciativa demonstrou que a oposição não pretendia limitar sua atuação às disputas internas e que procurava ampliar o debate sobre liberdade de expressão, decisões judiciais e garantias individuais.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, também merece destaque por ter disputado a Presidência da República e assumido protagonismo na tentativa de representar o eleitorado conservador. Sua trajetória passou a ser acompanhada de perto por aliados e adversários, especialmente depois da derrota eleitoral e da decisão de atuar politicamente a partir dos Estados Unidos.

É importante, contudo, separar o reconhecimento da articulação política das questões judiciais. As acusações contra Eduardo e as investigações envolvendo Flávio precisam ser examinadas com provas e garantias legais. A divergência com decisões do STF não elimina a necessidade de cumprimento das determinações judiciais enquanto estiverem em vigor, assim como decisões de ministros devem permanecer sujeitas à crítica e aos mecanismos de controle previstos na Constituição.

A história dos dois irmãos mostra como a disputa política brasileira ultrapassou as fronteiras nacionais. Eduardo construiu sua estratégia no exterior, enquanto Flávio se tornou uma das principais figuras da oposição. Para seus apoiadores, ambos representam a resistência política ao atual governo e a busca por espaço internacional para as pautas conservadoras. O desdobramento dessa estratégia dependerá dos próximos movimentos políticos, diplomáticos e judiciais.

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