Ajudando sem querer: como Eduardo Bolsonaro fortaleceu Lula, segundo Ciro Nogueira

Ajudando sem querer: como Eduardo Bolsonaro fortaleceu Lula, segundo Ciro Nogueira

Presidente do PP afirma que ações do filho de Bolsonaro nos EUA e tarifas de Trump prejudicaram a direita e deram fôlego ao governo Lula

BRASÍLIA – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou neste domingo (12/10) que a movimentação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos acabou prejudicando a direita brasileira e, por consequência, reforçou o governo Lula.

“Não sei o que faria se fosse meu pai, mas o fato é que foi um prejuízo enorme para nosso projeto político. Tínhamos uma eleição praticamente resolvida”, disse Ciro no programa Canal Livre, da Band.

Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA no fim de fevereiro com o objetivo de pressionar pelo impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Desde então, vem tentando obter sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras. Além disso, o governo de Donald Trump aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, um movimento que Ciro classificou como “erro grave”, especialmente por Trump ter ligado as tarifas a um suposto apoio a Jair Bolsonaro durante o julgamento da trama golpista no STF.

Segundo o presidente do PP, essas ações acabaram dando fôlego a Lula, que “há três ou quatro meses não tinha nem chance de disputar a reeleição”. “Aquilo não foi por conta do Bolsonaro”, disse Ciro, sugerindo que Trump deveria ter culpado Lula e sua política externa, citando questões como ataques ao dólar, Brics e figuras como Celso Amorim.

Para Ciro, a combinação das ações de Eduardo e do ex-presidente dos EUA ajudou Lula a reforçar um discurso nacionalista, prejudicando eleitoralmente a oposição. “Hoje, o Lula aparece como favorito, mas é porque só tem um time em campo. Quando entrarmos com jogadores melhores, vamos virar esse jogo”, afirmou.

O senador também criticou o governo atual, afirmando que sua única conquista foi o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda — medida que ele considera obrigação básica, e que não teria sido cumprida durante a gestão dele por causa da pandemia. “Quero saber: cite uma medida deste governo que realmente reduza custos e melhore a gestão”, questionou.

Sobre a família Bolsonaro, Ciro reconheceu que, no momento, não há chances de algum integrante concorrer à Presidência. Pesquisas mostram que Lula venceria hoje e que Eduardo Bolsonaro perdeu apoio junto ao eleitorado.

Quanto aos candidatos viáveis para 2026, o senador apontou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), como os mais fortes. “Nosso objetivo é escolher o melhor candidato possível à Presidência”, concluiu.

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