
Alckmin minimiza condenação de Bolsonaro e diz que decisão do STF não afeta comércio com os EUA
Vice-presidente afirma que não há ligação entre política regulatória americana e julgamento da trama golpista
O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, descartou neste sábado (13/9) qualquer risco de a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal prejudicar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo ele, não existe conexão entre a atuação do Judiciário e a política regulatória americana.
“Entendo que não, porque não há nenhuma relação entre decisão do Poder Judiciário e política regulatória. Imposto de importação é política regulatória”, declarou.
Alckmin frisou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem trabalhado para manter o diálogo aberto com Washington. Ele também criticou os chamados “tarifaços”:
“Não há justificativa. Dos dez produtos que os EUA mais exportam para nós, oito têm tarifa zero. E a tarifa média de entrada no Brasil é de 2,7%.”
De acordo com o vice, os Estados Unidos continuam tendo superávit comercial sobre o Brasil e ampliaram suas exportações em 12% neste ano. “Vamos trabalhar para reduzir impostos ao Brasil”, disse.
As declarações foram dadas durante visita a uma concessionária da Volkswagen em Brasília. Na ocasião, Alckmin destacou o aumento de 26,1% nas vendas de veículos sustentáveis entre julho e setembro, defendendo que a redução de impostos estimula o consumo.
Lula rebate pressões externas
Dois dias antes, Lula havia endurecido o tom contra possíveis sanções vindas de Washington. O presidente afirmou que o Brasil responderá “na medida” caso novas penalidades sejam impostas, e criticou o que chamou de arrogância americana.
“Os Estados Unidos precisam entender que não estão tratando com uma republiqueta de banana”, disse em entrevista.
Lula também negou que o Brasil tenha qualquer déficit comercial com os EUA e acusou Donald Trump de tentar interferir em um processo judicial legítimo.
“Não temo sanções. As acusações contra o Brasil são falsas. O presidente de um país não pode se meter nas decisões de outro soberano”, afirmou.