Alcolumbre mantém quebra de sigilos de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS

Alcolumbre mantém quebra de sigilos de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS

Presidente do Congresso decide não anular votação e impõe derrota à base governista

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu nesta terça-feira (3) manter a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A medida havia sido aprovada na semana passada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.

A decisão foi anunciada durante sessão no Congresso, após parlamentares da base do governo questionarem a legalidade da votação que autorizou o acesso aos dados do empresário, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Base governista alegava irregularidades na votação

Governistas recorreram a Alcolumbre argumentando que houve falhas na contagem de votos durante a deliberação da CPMI. Segundo eles, o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), não teria contabilizado corretamente os parlamentares contrários ao requerimento.

Ao analisar o pedido, Alcolumbre afirmou que não identificou violação clara ao regimento interno ou à Constituição que justificasse a anulação da decisão.

Ele explicou que, com 31 parlamentares presentes na sessão, seriam necessários ao menos 16 votos contrários para barrar o requerimento. Mesmo considerando divergências na contagem, o número de votos apresentados pela base governista não seria suficiente para reverter o resultado.

“Não há situação que justifique a intervenção da Presidência do Congresso para anular a deliberação”, declarou.

Relator defendeu legalidade da medida

O pedido de quebra de sigilos foi apresentado pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e aprovado em bloco junto com outros requerimentos.

Carlos Viana afirmou que conduziu a votação com transparência e negou interferência política. Segundo ele, a decisão foi estritamente técnica e baseada nas normas regimentais.

O senador também informou que aguarda resposta de Alcolumbre sobre um possível pedido de prorrogação dos trabalhos da CPMI, que tem prazo até o fim de março para apresentar o relatório final.

Entenda o que está em investigação

A CPMI apura suspeitas de fraudes e irregularidades no pagamento de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O nome de Lulinha apareceu em uma das fases da chamada Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de desvios.

De acordo com o requerimento aprovado, mensagens interceptadas pela Polícia Federal mencionariam repasses financeiros que poderiam ter relação com o empresário. A investigação também cita a empresária Roberta Luchsinger e o operador Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como líder do esquema.


Defesa nega irregularidades

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirma que ele não teve qualquer participação nas supostas fraudes. O advogado Guilherme Suguimori Santos declarou que a quebra de sigilo não preocupa e que documentos serão apresentados voluntariamente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo ele, o empresário está tranquilo e disposto a colaborar com as autoridades.

Impacto político e próximos passos

A decisão de Alcolumbre representa um revés para o governo, que tentou suspender os efeitos da votação. Com a manutenção da quebra de sigilos, a CPMI poderá avançar na análise de movimentações financeiras e comunicações relacionadas ao caso.

O tema amplia a tensão política em Brasília e deve continuar no centro do debate até a conclusão dos trabalhos da comissão.

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