
Aliado histórico de Trump declara apoio a Flávio Bolsonaro após encontro na Casa Branca
Jason Miller aparece em coletiva do senador brasileiro e afirma que “uma eleição pode mudar tudo” no Brasil
O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, ganhou novos desdobramentos políticos após uma declaração pública do estrategista republicano Jason Miller, que pediu votos para Flávio e fez duras críticas ao cenário político brasileiro.
Considerado um dos nomes mais influentes da comunicação digital ligada ao trumpismo, Jason Miller participou rapidamente da coletiva concedida por Flávio Bolsonaro após a reunião com Trump e surpreendeu ao defender abertamente a candidatura do senador brasileiro.
“Para o povo do Brasil cansado dos cartéis narcoterroristas e da perseguição a opositores políticos, votar em Flávio Bolsonaro pode mudar tudo. Basta uma eleição”, afirmou Miller diante de jornalistas e em publicações nas redes sociais.
A fala teve forte repercussão porque, embora Miller não faça oficialmente parte do atual governo norte-americano, ele continua sendo uma figura extremamente próxima do núcleo político de Trump e mantém influência dentro do Partido Republicano.
Nos bastidores, a declaração foi interpretada como mais um sinal da aproximação internacional construída pela família Bolsonaro junto à ala conservadora americana.
Durante a coletiva, Flávio Bolsonaro evitou dizer que havia recebido apoio formal de Trump para uma eventual candidatura presidencial em 2026. Segundo o senador, o presidente norte-americano não teria feito qualquer endosso direto. Ainda assim, a presença de Jason Miller e o tom adotado pelo ex-assessor republicano acabaram ampliando o peso político do encontro.
Além do apoio público a Flávio, Miller voltou a atacar decisões do Supremo Tribunal Federal e criticou medidas atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. O estrategista americano afirmou que a situação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro representa uma ameaça à democracia e à liberdade de expressão.
As declarações reforçam uma relação política construída há anos entre Jason Miller e a família Bolsonaro. O estrategista republicano já esteve diversas vezes no Brasil, participou de agendas ligadas ao bolsonarismo e mantém contato frequente com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, responsável por boa parte das articulações internacionais do grupo conservador brasileiro.
Miller também ganhou notoriedade ao lançar a rede social Gettr, plataforma criada como alternativa conservadora às grandes redes tradicionais. Desde então, passou a atuar fortemente em pautas relacionadas à liberdade de expressão e ao combate ao que chama de censura digital.
Embora tenha trabalhado diretamente nas campanhas presidenciais de Trump em 2016, 2020 e 2024, Jason Miller atualmente atua na iniciativa privada como sócio da empresa de lobby SHW Partners. Nos Estados Unidos, o lobby é uma atividade legalizada e regulamentada.
Recentemente, Miller esteve envolvido em contratos milionários ligados ao governo da Índia e também em consultorias para empresas de tecnologia, inteligência artificial e plataformas de criptomoedas.
O encontro de Flávio com Trump também teve bastidores cuidadosamente planejados. Segundo relatos, o senador permaneceu cerca de uma hora e quarenta minutos na Casa Branca. O objetivo do grupo era construir uma imagem de protagonismo internacional para Flávio Bolsonaro, concentrando nele o foco político da visita.
O senador levou uma camisa da Seleção Brasileira como presente para Trump, embora o item tenha sido temporariamente retido pela segurança da Casa Branca para inspeção. Ao final do encontro, Trump entregou a Flávio uma tradicional “challenge coin”, moeda simbólica geralmente reservada a aliados, militares e convidados considerados especiais pelo governo americano.
A sequência de imagens, vídeos e declarações acabou transformando a viagem de Flávio Bolsonaro em um dos assuntos políticos mais comentados nas redes sociais brasileiras. Enquanto apoiadores enxergaram o encontro como demonstração de prestígio internacional, críticos ironizaram a exposição política construída em torno da visita à Casa Branca.
Com Jason Miller entrando em cena e pedindo votos diretamente para o senador brasileiro, o episódio elevou ainda mais o tom da disputa política que já começa a desenhar os bastidores da corrida presidencial de 2026.