Lula evita estados com impasses eleitorais e reduz agendas em redutos marcados por disputas entre aliados

Lula evita estados com impasses eleitorais e reduz agendas em redutos marcados por disputas entre aliados

Levantamento aponta que presidente não voltou a Pernambuco e ainda não visitou Maranhão e Paraíba em 2026, estados onde a definição dos palanques para as eleições segue cercada de negociações políticas.

A agenda de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 tem revelado uma estratégia política que vai além dos compromissos administrativos. Levantamento divulgado pelo R7 Planalto mostra que o presidente evitou, até o momento, intensificar visitas a estados onde enfrenta dificuldades para consolidar alianças ou onde seus próprios aliados disputam espaço na corrida eleitoral.

Entre os principais exemplos está Pernambuco. Lula não voltou ao estado desde o Carnaval, quando apareceu publicamente ao lado dos dois principais nomes da disputa pelo governo estadual: o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD). A imagem simbolizou o delicado equilíbrio político que o presidente tenta manter em um dos estados mais importantes do Nordeste.

Embora João Campos seja considerado o principal aliado de Lula em Pernambuco e represente o palanque preferencial do PT, Raquel Lyra também vem construindo uma aproximação com o governo federal. A governadora, que buscará a reeleição, reúne em seu grupo político lideranças alinhadas ao presidente, entre elas o deputado federal Túlio Gadelha (PSD), pré-candidato ao Senado.

Ao mesmo tempo, Raquel sinaliza que pretende manter neutralidade na disputa presidencial, evitando apoiar oficialmente o pré-candidato de seu partido, Ronaldo Caiado (PSD), movimento interpretado por aliados como uma forma de preservar o diálogo com o Palácio do Planalto.

A cautela de Lula também se estende ao Maranhão. Apesar de o presidente contar com apoio entre os principais grupos políticos locais, o cenário permanece dividido. Os dois nomes mais competitivos para o governo estadual — o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o governador Orleans Brandão (MDB) — mantêm relação de proximidade com o governo federal, dificultando uma escolha antecipada de palanque.

Situação semelhante ocorre na disputa pelo Senado, onde diferentes lideranças ligadas à base governista buscam o apoio do presidente, exigindo equilíbrio por parte do Palácio do Planalto para evitar desgastes internos.

Na Paraíba, outro estado ausente da agenda presidencial neste ano, Lula também enfrenta um cenário complexo. A disputa pela vaga ao Senado reúne três nomes que mantêm diálogo com o governo federal: o ex-governador João Azevêdo (PSB), o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tenta a reeleição, e Narbor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

O apoio ao PSB é considerado natural pela aliança nacional construída entre Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Ao mesmo tempo, o presidente também já manifestou apoio político a Veneziano e, nos últimos meses, intensificou a aproximação com Narbor Wanderley, ampliando o desafio de acomodar interesses distintos dentro da própria base.

Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que a redução de agendas presenciais nesses estados busca evitar interpretações de favorecimento prematuro a um ou outro grupo político antes da consolidação das alianças eleitorais.

Com o calendário eleitoral se aproximando, a expectativa é que Lula intensifique sua presença nos estados apenas quando as definições locais estiverem mais avançadas, preservando a unidade de sua base aliada e reduzindo o risco de aprofundar disputas regionais que possam repercutir na campanha presidencial.

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