André Mendonça defende humildade na Justiça e diz que juiz não deve agir como “estrela”

André Mendonça defende humildade na Justiça e diz que juiz não deve agir como “estrela”

Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça destaca coragem, responsabilidade e capacidade de corrigir erros como pilares de uma magistratura equilibrada.

Em tempos em que decisões judiciais ganham cada vez mais visibilidade — e até protagonismo nas redes e no debate público — o ministro André Mendonça trouxe um contraponto direto: para ele, um bom juiz não deve buscar aplausos, mas sim cumprir seu papel com seriedade e consciência.

Durante uma palestra na Ordem dos Advogados do Brasil, Mendonça fez uma reflexão que soou quase como um recado aos próprios colegas de toga. Segundo ele, o Judiciário não é palco para vaidade, e sim um espaço que exige equilíbrio, responsabilidade e, acima de tudo, humildade.

Com uma fala firme, mas carregada de reflexão pessoal, o ministro destacou que julgar envolve reconhecer limites. “Não somos perfeitos”, afirmou, ao reforçar que decisões devem ser tomadas com consciência — e com a disposição de corrigir o rumo, caso necessário.

Coragem não é espetáculo

Outro ponto central da fala foi o conceito de coragem. Para Mendonça, decidir não é sinônimo de agir com arrogância ou levantar a voz.

Pelo contrário: ele definiu coragem como a capacidade de manter a calma mesmo diante da pressão, analisando cada situação com racionalidade e justificativa clara. Em outras palavras, não se trata de quem fala mais alto — mas de quem decide melhor.

A mensagem, ainda que sutil, reforça uma visão de Judiciário menos midiático e mais técnico, onde o protagonismo está na qualidade das decisões, e não na exposição de quem as toma.

O peso das decisões no Caso Master

A fala do ministro ganha ainda mais relevância considerando seu papel atual. André Mendonça é o relator do chamado Caso Master, uma investigação complexa que envolve suspeitas de fraudes bilionárias no sistema financeiro.

O processo apura irregularidades atribuídas ao banco e a seus dirigentes, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso por determinação do próprio ministro.

Segundo as investigações, há indícios de manipulação de ativos e venda de carteiras de crédito consideradas irregulares, em um esquema que pode ter inflado artificialmente valores bilionários.

Entre pressão e responsabilidade

Assumir um caso dessa magnitude não é tarefa simples. E talvez por isso as palavras de Mendonça carreguem ainda mais peso: decidir sob pressão exige equilíbrio emocional, responsabilidade institucional e disposição para lidar com críticas.

Ao afirmar que erros devem ser reconhecidos e corrigidos, o ministro adota uma postura que, para muitos, representa maturidade dentro de uma função marcada por decisões definitivas.

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