
Após derrota histórica no STF, Lula tenta segurar Jorge Messias no governo
Rejeitado pelo Senado, ministro da AGU vira alvo de rearranjo político enquanto Planalto tenta conter desgaste e evitar novo abalo
Depois de uma derrota inédita e constrangedora no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agora tenta evitar que o estrago político aumente. Em reunião realizada na noite de segunda-feira (5), Lula pediu que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, permaneça no governo — mesmo após ter seu nome rejeitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
A cena, por si só, já carrega uma certa ironia: depois de não conseguir emplacar o aliado no mais alto tribunal do país, o governo agora se movimenta para não perdê-lo completamente — como quem tenta segurar uma peça importante após uma jogada que deu errado.
Derrota histórica e clima de constrangimento
A rejeição de Messias não foi apenas mais uma votação perdida. Foi um marco: pela primeira vez em mais de um século, o Senado barrou uma indicação presidencial ao STF. O placar escancarou o desgaste — foram 42 votos contrários contra apenas 34 favoráveis, número insuficiente para aprovação.
Nos bastidores, o episódio foi visto como um recado político claro. A articulação falhou, o apoio não veio como esperado e o governo acabou exposto em pleno tabuleiro de Brasília.
“Fica, mas onde?”
Na tentativa de reorganizar o cenário, Lula pediu que Messias continue no governo. O problema é que nem isso está totalmente definido. Ainda não se sabe se ele seguirá no comando da AGU ou será deslocado para outro ministério — aliados cogitam, por exemplo, o Ministério da Justiça.
Ou seja: fica, mas ninguém sabe exatamente onde. Uma situação que revela mais improviso do que estratégia clara.
O peso político da rejeição
Durante a reunião, Lula e Messias analisaram as razões da derrota. A avaliação interna aponta para articulação contrária liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como fator decisivo.
Ainda assim, o discurso oficial tenta amenizar o impacto, destacando que até senadores da oposição reconheceram que Messias atendia aos requisitos constitucionais para o cargo. Na prática, porém, o que pesou não foi currículo — foi política.
Ironia e desgaste no Planalto
O episódio deixa uma mensagem difícil de ignorar: em um governo que prometia força política e articulação, ver um indicado ao STF ser rejeitado dessa forma soa como um tropeço significativo.
E, no meio disso tudo, a imagem que fica é quase simbólica: um presidente pedindo para que seu ministro não vá embora depois de não conseguir promovê-lo. Uma espécie de “fica, por favor” em meio a um cenário onde o controle político parece cada vez mais escorregadio.
A novela ainda não terminou. Uma nova reunião deve ocorrer após a viagem de Lula aos Estados Unidos — mas, até lá, o governo segue tentando reorganizar as peças depois de uma jogada que claramente não saiu como planejado.