
Após derrota no Senado, Jorge Messias avalia saída, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva tenta segurar aliado
Rejeição inédita ao STF abala bastidores do governo e expõe fissuras políticas em Brasília
A ressaca política após a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal segue produzindo efeitos dentro do governo. Abalado com a derrota no Senado, o atual chefe da AGU admitiu a aliados que cogita deixar o cargo — uma decisão que, se confirmada, ampliaria ainda mais a crise nos bastidores do Planalto.
O movimento, no entanto, encontrou resistência imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em reunião no Palácio da Alvorada, Lula pediu cautela e tentou convencer Messias a permanecer no governo, evitando uma saída que poderia ser interpretada como mais um revés político em sequência.
A derrota foi histórica: pela primeira vez em mais de um século, o Senado rejeitou a indicação de um presidente da República ao STF. Messias precisava de ao menos 41 votos, mas obteve apenas 34 — um resultado que expôs fragilidades na articulação política do governo e acendeu alertas dentro da base aliada.
Nos bastidores, o clima é de desconfiança. O próprio Messias relatou a interlocutores que se sentiu alvo de uma campanha prolongada contra seu nome, além de lamentar a falta de apoio mais firme dentro do próprio partido. Como se não bastasse a derrota, ainda paira sobre ele a difícil tarefa de continuar no cargo tendo que dialogar com os mesmos atores políticos que trabalharam contra sua indicação.
Entre os nomes apontados como peças-chave na articulação contrária estão figuras de peso, como Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, além de resistências atribuídas a ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Enquanto isso, dentro do governo, já se fala em possíveis “planos B”. Uma das ideias ventiladas é transferir Messias para o Ministério da Justiça — uma espécie de prêmio de consolação que, na prática, também serviria como recado político após a derrota.
E, mais uma vez, o roteiro parece familiar: discurso de unidade, tentativa de conter danos e a velha esperança de que tudo se resolva nos bastidores. No palco, a narrativa segue firme. Nos bastidores, a realidade mostra que nem sempre o roteiro sai como planejado.