
Após meses de atritos, Lula e Trump podem se encontrar na Malásia
Depois de divergências envolvendo Bolsonaro, líderes de Brasil e EUA negociam reunião durante a cúpula da Asean
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos estão acertando os detalhes para um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump na Malásia, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na próxima semana. A informação foi passada por uma autoridade do governo norte-americano à AFP.
A relação entre os dois chefs de Estado vinha estremecida, sobretudo por causa das reações de Trump à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado político. Mas o clima começou a mudar no último mês: eles tiveram um rápido cumprimento durante a Assembleia Geral da ONU e, no dia 6 de outubro, conversaram por telefone — uma ligação descrita como amistosa.
Segundo essa fonte do governo americano, Trump demonstrou interesse direto em sentar com Lula durante o evento em Kuala Lumpur, que acontece de 26 a 28 de outubro. As conversas diplomáticas para organizar esse encontro seguem em andamento.
A tensão entre os países ganhou força quando Trump determinou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e aprovou sanções contra autoridades do alto escalão, entre elas o ministro do STF Alexandre de Moraes, em protesto contra o que chamou de “perseguição política” a Bolsonaro — condenado pelo Supremo a 27 anos de prisão por tentativa de subverter o resultado das eleições de 2022.
Nos bastidores, porém, a diplomacia tenta abrir espaço para o diálogo. Na semana passada, o chanceler Mauro Vieira esteve com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e pediu que Washington volte atrás nas tarifas impostas em julho.
Com ambos os presidentes caminhando para os 80 anos, a expectativa é de que essa reunião marque um novo capítulo na relação — ao menos por enquanto, deixando a crise política recente em segundo plano.