
Argentina pede extradição de Maduro após prisão nos EUA
Ditador venezuelano responde por crimes contra a humanidade; ação internacional ganha força após ofensiva liderada por Trump e apoiada por Milei
O Ministério Público da Argentina solicitou à Justiça Federal, nesta segunda-feira (5), a abertura formal do processo de extradição do ditador venezuelano Nicolás Maduro, que foi preso em território norte-americano. A medida representa mais um passo no cerco internacional contra um dos regimes mais violentos e autoritários da América Latina.
Na Argentina, Maduro é alvo de um processo por crimes contra a humanidade e graves violações de direitos humanos, relacionadas à repressão sistemática contra opositores políticos, prisões arbitrárias, tortura e perseguição institucionalizada ao povo venezuelano.
O pedido do Ministério Público reforça uma decisão tomada ainda em setembro, quando a Justiça argentina determinou a prisão internacional de Maduro. Segundo os procuradores, a captura realizada pelos Estados Unidos tornou público e incontestável o fundamento jurídico da ação argentina, abrindo caminho para que o ditador responda também perante a Justiça do país vizinho.
“Solicitamos, portanto, o início do procedimento de extradição ativa de Nicolás Maduro Moros, para que ele seja submetido ao processo em curso”, afirma o procurador no documento encaminhado ao Judiciário.
A prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja decisão é vista como um marco no enfrentamento direto ao narcoterrorismo e às ditaduras latino-americanas. Maduro está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, conhecido como “prisão dos famosos”, onde aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.
A iniciativa norte-americana também encontra respaldo político no governo do presidente argentino Javier Milei, que tem se posicionado de forma firme contra ditaduras, autoritarismo e regimes que violam liberdades individuais. A postura de Milei rompe com anos de complacência diplomática e reforça o alinhamento da Argentina com democracias que exigem responsabilização de líderes autoritários.
A ofensiva internacional deixa claro que a impunidade de Maduro começa a ruir. O que antes era tratado como “questão interna” da Venezuela passa, finalmente, a ser reconhecido como um problema global de direitos humanos, crime organizado e ameaça à estabilidade regional.