
Artistas pressionam Lula por regras no streaming: “É hora de proteger nossa cultura”
Mais de 750 nomes do cinema e da TV assinam carta pedindo que governo e Congresso priorizem a regulação das plataformas no Brasil
Uma mobilização inédita no mundo artístico está em andamento. Mais de 750 cineastas, atores, roteiristas, produtores, técnicos e artistas de todos os cantos do Brasil assinaram uma carta aberta endereçada ao presidente Lula, à ministra Gleisi Hoffmann, ao presidente da Câmara Hugo Motta, à ministra da Cultura Margareth Menezes e à secretária nacional do audiovisual Joelma Gonzaga.
O recado é direto: o setor de streaming precisa ser regulado com urgência. O grupo defende a criação imediata de um marco regulatório que garanta contrapartidas justas das plataformas internacionais que atuam no país — algo que, segundo eles, não pode mais ser adiado.
A carta pede que Hugo Motta mantenha Jandira Feghali como relatora do PL 2331/22, projeto que propõe que os serviços de streaming invistam 6% da receita na produção de conteúdo nacional — um índice ainda menor que os 12% recomendados pelo Conselho Superior do Cinema.
O texto é claro ao lembrar que o audiovisual não é só entretenimento, mas a memória viva de um povo:
“Ele conta quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir. É a nossa identidade em movimento.”
Entre os signatários estão nomes de peso como Wagner Moura, Fernanda Torres, Fernando Meirelles, Laís Bodanzky, José Padilha, Petra Costa, Walter Salles, Anna Muylaert, além de representantes do cinema indígena e de produções independentes de todas as regiões do país.
O movimento também alerta: sem regulação, o Brasil corre o risco de se tornar apenas um mercado consumidor, importando histórias e exportando pouco de sua própria cultura. Para eles, o audiovisual é questão de soberania nacional, cultura e democracia.
“Não podemos aceitar que o nosso mercado audiovisual seja usado como moeda de troca. É preciso equilibrar nossa balança cultural e exportar nossa diversidade para o mundo.”
O grupo pede apoio formal do Executivo, atuação ativa do Ministério da Cultura e mobilização urgente para que o projeto avance no Congresso. A mensagem final é simples, mas poderosa:
“É garantir que a voz do Brasil continue sendo contada por brasileiros.”