Petroleiro rumo à China vira alvo dos EUA e acirra o cerco ao regime Maduro

Petroleiro rumo à China vira alvo dos EUA e acirra o cerco ao regime Maduro

Segundo navio apreendido por Washington carregava quase 2 milhões de barris de petróleo venezuelano e fazia parte da chamada “frota fantasma”, usada para driblar sanções internacionais

O segundo navio petroleiro apreendido pelos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela tinha a China como destino final. A informação foi revelada pela agência Reuters, que teve acesso a dados de navegação e documentos internos ligados à operação.

A interceptação ocorreu no sábado (20) e faz parte da ofensiva do governo Donald Trump contra o regime de Nicolás Maduro, que inclui bloqueio naval, forte presença militar no Caribe e ações diretas contra embarcações suspeitas de burlar sanções. Essa foi a segunda apreensão em menos de duas semanas, ampliando ainda mais a tensão entre Washington e Caracas.

Batizado de VLCC Centuries, o navio transportava cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo cru Merey, produzido pela estatal venezuelana PDVSA e vendido a uma intermediária que abastece refinarias chinesas. Embora estivesse registrado sob bandeira do Panamá, a embarcação navegava com um nome falso — “Crag” —, prática comum entre os chamados “navios fantasmas”.

Segundo a Reuters, essa frota paralela é usada por países sob sanções, como Venezuela, Irã e Rússia, para esconder a origem do petróleo e escapar da fiscalização internacional. Dados da ONG Transparência Venezuela indicam que quase 40% dos navios que transportam petróleo venezuelano operam de forma irregular.

O Centuries deixou águas venezuelanas escoltado brevemente pela Marinha local, mas acabou interceptado em águas internacionais, a oeste de Barbados. Um vídeo da ação foi divulgado pela secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, que afirmou que Washington seguirá combatendo o comércio ilegal de petróleo usado, segundo ela, para financiar atividades criminosas e o narcoterrorismo.

O regime de Maduro reagiu com indignação, classificando a apreensão como “pirataria internacional” e prometendo retaliação. Em tom desafiador, Caracas afirmou que continuará exportando petróleo e anunciou escolta militar para os navios que deixarem seus portos. O Irã, aliado de Maduro, também ofereceu apoio para enfrentar o que chamou de ações “terroristas” dos EUA.

Enquanto isso, a escalada preocupa a comunidade internacional. Rússia e China acompanham de perto os desdobramentos, e o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para discutir o aumento das tensões militares na região.

Com a maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela segue rica no papel, mas sufocada por sanções, infraestrutura precária e manobras cada vez mais arriscadas para manter o fluxo de exportações. O cerco se fecha, e o custo político — e econômico — para o regime Maduro parece crescer a cada navio interceptado.

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