
Ataque dos EUA à Venezuela divide o mundo: aliados de Maduro condenam, Milei comemora ação de Trump
Rússia, Irã, Cuba e países próximos ao chavismo denunciam violação da soberania; Trump assume ofensiva e presidente argentino exalta captura de Maduro
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, anunciada por Donald Trump e que teria resultado na captura de Nicolás Maduro, provocou uma onda imediata de reações internacionais neste sábado (3). Enquanto governos alinhados ao chavismo reagiram com forte indignação, outros líderes viram na ação americana um marco político e simbólico contra o regime venezuelano.
A Rússia foi uma das primeiras a se manifestar, exigindo esclarecimentos urgentes sobre o paradeiro de Maduro e classificando a operação como “grave” e “inaceitável”. Em nota oficial, Moscou acusou Washington de atropelar a diplomacia e violar abertamente a soberania venezuelana.
Na mesma linha, o Irã repudiou o ataque, chamando-o de uma agressão direta à integridade territorial da Venezuela. Cuba, por sua vez, elevou o tom: o presidente Miguel Díaz-Canel descreveu a ação como “terrorismo de Estado” e convocou a comunidade internacional a reagir contra o que chamou de ataque criminoso dos EUA.
América Latina em alerta
Na América do Sul, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou os bombardeios em Caracas e determinou o reforço militar nas regiões de fronteira. Aproveitando o fato de o país ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, Petro solicitou uma reunião emergencial do órgão para discutir a escalada do conflito.
Em contraste total com esses posicionamentos, o presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou publicamente a operação conduzida sob o comando de Trump. Em publicação nas redes sociais, o argentino escreveu em tom enfático: “A liberdade avança. Viva a liberdade!”, sinalizando apoio explícito à ação norte-americana e ampliando a polarização política na região.
Europa pede cautela, mas reconhece desgaste de Maduro
Na Europa, a reação foi mais cautelosa. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu contenção e respeito às normas internacionais. Apesar de reiterar que o bloco não reconhece a legitimidade democrática de Maduro, a UE destacou que qualquer mudança política deve respeitar o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
A Espanha reforçou sua disposição de atuar como mediadora, defendendo uma saída negociada para a crise venezuelana. Madri lembrou que não reconheceu as eleições de 2024, contestadas pela oposição, mas enfatizou a necessidade de evitar um conflito de maiores proporções.
Trump no centro do tabuleiro global
Ao assumir publicamente a responsabilidade pela operação, Donald Trump recolocou os Estados Unidos no centro do jogo geopolítico da América Latina. Para aliados, a ação representa um golpe direto contra um regime acusado de autoritarismo e crimes internacionais. Para críticos, trata-se de uma intervenção que reacende temores históricos de ingerência americana na região.
O episódio escancarou a divisão internacional e regional em torno da Venezuela — e consolidou Trump, mais uma vez, como o principal agente de ruptura no cenário global neste início de 2026.