TCU abre inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master

TCU abre inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master

Corte de Contas vai analisar se BC agiu com pressa no fechamento da instituição; apuração pode durar até 30 dias

O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou um processo de inspeção direta no Banco Central (BC) para analisar os procedimentos que levaram à liquidação do Banco Master, decretada em novembro do ano passado. A informação foi confirmada pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, que classificou a medida como um rito técnico normal dentro das atribuições da Corte.

Mesmo durante o recesso do Judiciário, a fiscalização está sendo conduzida por equipes técnicas de plantão. Segundo Vital, o TCU tem a responsabilidade constitucional de fiscalizar órgãos fiscalizadores, como o próprio Banco Central, o que torna a inspeção um passo esperado em situações de grande impacto institucional.

Questionamentos sobre possível precipitação

A apuração foi aberta após provocação do Ministério Público Federal (MPF). O processo está sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, que solicitou ao BC o envio de documentos e levantou dúvidas sobre a rapidez com que a autoridade monetária decidiu liquidar o banco.

Na avaliação do relator, poderiam ter sido consideradas medidas menos drásticas, capazes de reduzir os efeitos negativos sobre o mercado financeiro. Entre as principais preocupações está o impacto sobre bancos de médio porte e um possível prejuízo superior a R$ 40 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por indenizar investidores com até R$ 250 mil aplicados na instituição — valores que, até agora, ainda não começaram a ser pagos.

Suspeitas de fraude e investigação criminal

O Banco Master foi fechado após surgirem indícios de operações fraudulentas, envolvendo cerca de R$ 12 bilhões em carteiras e fundos sem lastro real. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso pela Polícia Federal, mas atualmente responde ao processo em liberdade.

Parte das investigações corre sob segredo de Justiça, após o caso chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF). Isso ocorreu depois que documentos ligados a uma transação imobiliária foram encontrados com Vorcaro e mencionavam um parlamentar com foro privilegiado. Por essa razão, o ministro Dias Toffoli assumiu o processo.

Acesso direto a documentos sigilosos

Embora o Banco Central já tenha enviado um relatório preliminar ao TCU, parte dos documentos permanece protegida por sigilo legal. Por isso, os técnicos da Corte realizarão a inspeção presencialmente na sede do BC, onde terão acesso aos arquivos completos.

Após a análise, a equipe técnica deverá encaminhar um parecer ao relator. Somente depois disso haverá qualquer decisão sobre eventuais medidas, como a suspensão da liquidação — hipótese considerada improvável por especialistas.

Riscos de reversão e impacto sistêmico

Especialistas em direito financeiro alertam que uma eventual reversão da liquidação poderia abalar a credibilidade do Banco Central e gerar instabilidade no sistema financeiro, incluindo risco de corrida bancária, encarecimento do crédito e perda de confiança de investidores.

Segundo analistas, historicamente o TCU costuma apontar falhas procedimentais, quando existem, mas preserva decisões técnicas da autoridade monetária, justamente para manter o equilíbrio institucional.

Vital do Rêgo afirmou que nenhuma decisão será tomada antes da conclusão da inspeção, que pode levar até 30 dias. Até lá, o processo de liquidação do Banco Master segue em vigor.

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