
Aula de Fernando Haddad na Unicamp é interrompida por tumulto envolvendo integrantes do MBL
Evento sobre economia foi marcado por protestos, empurrões e acusações de agressão; PT, MBL e Unicamp apresentam versões distintas sobre o episódio
A aula magna ministrada pelo ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, terminou em tumulto na noite de quinta-feira (2), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, interior paulista. O evento, realizado no Teatro de Arena da universidade, discutia os desafios da economia brasileira, mas acabou interrompido após a entrada de manifestantes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL).

Segundo relatos de participantes, o grupo interrompeu a fala de Haddad com perguntas, críticas e palavras de ordem relacionadas ao governo federal. Entre os temas levantados pelos manifestantes estavam a chamada “taxa das blusinhas”, críticas às gestões de Haddad nos ministérios da Educação e da Fazenda e questionamentos sobre uma suposta campanha eleitoral antecipada.
A tensão aumentou rapidamente e o ambiente foi tomado por empurrões, discussões e agressões físicas, interrompendo a programação por alguns minutos. Testemunhas afirmaram que os manifestantes não faziam parte da comunidade acadêmica da Unicamp.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram momentos da confusão. Um dos envolvidos foi Matheus Pereira, integrante do MBL e pré-candidato a deputado estadual, que aparece sendo empurrado durante o tumulto. O movimento afirma que seus integrantes foram vítimas de agressões enquanto exerciam o direito de manifestação.
Durante toda a confusão, Fernando Haddad permaneceu no palco. De acordo com pessoas presentes no evento, o petista continuou sua exposição e não interagiu diretamente com os manifestantes. Após o incidente, ele deixou o local sem conceder entrevistas.
Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou que esta foi a segunda ocasião em que integrantes do MBL teriam provocado tumultos em atos do pré-candidato. O partido classificou a ação como um episódio de violência política premeditada, alegando que os manifestantes chegaram ao local gravando a movimentação com celulares em diversos ângulos para registrar possíveis confrontos. O PT declarou ainda que divergências devem ser resolvidas por meio do debate democrático e informou que adotará as medidas judiciais cabíveis.
A Unicamp também se manifestou. A universidade condenou qualquer ato de violência e afirmou que a interrupção de uma atividade acadêmica por meio de agressões é incompatível com os princípios da instituição. A administração informou que apura o ocorrido e avaliará as providências administrativas e institucionais necessárias.
Já o MBL sustentou que seus integrantes compareceram ao evento para fazer questionamentos políticos ao pré-candidato e afirmou que membros do movimento sofreram agressões físicas durante a confusão. O grupo defende que houve tentativa de impedir manifestações contrárias ao discurso apresentado na universidade.
O episódio reacendeu o debate sobre segurança em eventos políticos realizados em instituições públicas e sobre os limites entre o direito à manifestação e a preservação da ordem em ambientes acadêmicos. Até o momento, não há informação oficial sobre prisões ou abertura de inquérito envolvendo os participantes da confusão. As circunstâncias do confronto seguem sendo apuradas pelas autoridades competentes.