
Operação Dubai: Influenciador suspeito de desviar R$ 146 milhões é preso na Argentina
Gabriel Spalone, que ostentava luxo nas redes sociais, é capturado após alerta da Interpol, um ano após o golpe financeiro via Pix.
O influenciador e empresário brasileiro Gabriel Spalone foi preso na noite de sábado (27), no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, na Argentina. Ele é apontado como líder de um esquema que desviou mais de R$ 146 milhões de uma instituição financeira usando o sistema Pix.
A prisão ocorreu depois que Spalone entrou na Lista Vermelha da Interpol, alerta internacional que permite a captura de foragidos. A ação foi coordenada entre a Polícia Federal do Brasil, a Interpol de países como Estados Unidos, Argentina e Paraguai, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
Antes de ser detido na Argentina, Spalone havia sido retido no Panamá na sexta-feira (26), mas liberado por falta de ordem judicial vigente. A defesa do empresário afirma que a detenção naquele momento foi ilegal. Já na Argentina, após a formalização do alerta internacional, não houve possibilidade de fuga.
O advogado de Spalone, Eduardo Maurício, informou que trabalhará na defesa durante o processo de extradição e pretende apresentar documentos que comprovem a inocência do cliente. A defesa também planeja solicitar habeas corpus e recorrer à sede da Interpol em Lyon, na França, além de apresentar denúncia à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) alegando irregularidades na prisão.
A investigação que resultou na prisão de Spalone faz parte da chamada Operação Dubai, iniciada em 23 de setembro pela Polícia Civil de São Paulo. O esquema teria ocorrido em fevereiro e envolveu acesso ilegal a 10 contas bancárias por meio de credenciais de uma prestadora de serviços, permitindo transferências indevidas via Pix. Dois outros suspeitos já foram presos, e parte do valor desviado foi recuperada. Os envolvidos responderão por furto mediante fraude e associação criminosa.
Gabriel Spalone se apresentava nas redes sociais como empresário internacional, morador de Dubai, e ostentava uma rotina de luxo com viagens, carros caros e eventos exclusivos. Ele era dono das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai e acumulava mais de 800 mil seguidores, cujo perfil foi desativado após a operação policial. O brilho da ostentação chamou a atenção das autoridades e evidenciou a magnitude do esquema.