
Autoridades viajam em aviões da FAB para curtir Festival de Parintins sem compromissos oficiais
Hugo Motta, Davi Alcolumbre e Barroso usaram aeronaves públicas para ir ao evento no Amazonas; registros oficiais não indicam compromissos institucionais
No último fim de semana de junho, três dos nomes mais influentes do país embarcaram rumo ao Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas — e fizeram isso a bordo de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Foram eles: o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. Acontece que, apesar da viagem com pompa e estrutura oficial, nenhum dos três tinha compromissos públicos previstos nas agendas.
Segundo informações obtidas pela Folha de S. Paulo e divulgadas neste domingo (6), uma das aeronaves da FAB decolou de Brasília na sexta-feira (27) levando, além de Motta e Alcolumbre, o ministro do Turismo, Celso Sabino (União-PA), o corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mauro Campbell, e mais cinco passageiros. A volta aconteceu no domingo (29), com o avião retornando cheio: 20 pessoas a bordo.
Já Barroso foi em voo separado. Saiu da capital federal na quinta-feira (26), passou por Rio Branco (AC) e só então chegou a Parintins. Depois do festival, seguiu para São Paulo, também usando avião da FAB.
Apesar da legalidade prevista em um decreto de 2020 — que autoriza o uso desses aviões por autoridades em caso de segurança, emergência médica ou missão oficial — a ausência de transparência e a falta de registros públicos sobre os compromissos oficiais dos passageiros colocam a situação sob questionamento. O decreto, embora permita o uso, não exige a divulgação clara de agendas nem a justificativa exata de cada deslocamento.
Em resposta, o Ministério do Turismo defendeu a viagem. Segundo a pasta, o Festival de Parintins tem impacto econômico de mais de R$ 180 milhões, movimentando o turismo e fortalecendo a cultura da Amazônia. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ministro Celso Sabino aparece sorridente ao lado de Hugo Motta, que diz estar visitando o evento pela primeira vez, a convite do próprio Sabino.
Enquanto isso, a conta é bancada com recursos públicos — e a dúvida que fica é: até que ponto esses voos atendem ao interesse coletivo?