
Bancos brasileiros derretem na Bolsa e perdem quase R$ 42 bilhões com tensão sobre Lei Magnitsky
Decisão do STF provoca disparada do dólar e cautela no mercado financeiro
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de fortes turbulências nesta terça-feira (19). As ações dos grandes bancos despencaram, refletindo o impacto da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que limita a execução de sanções da chamada Lei Magnitsky no Brasil. Juntas, as ações de Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BTG Pactual perderam R$ 41,98 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria.
No setor, o Banco do Brasil foi o mais atingido, com recuo superior a 6%. Bradesco caiu entre 3,3% e 3,4%, Itaú 3%, Santander 4,88% e BTG Pactual 3,48%. O Índice Financeiro da B3 registrou o maior tombo entre os setores, caindo 3,82%, o que não acontecia desde janeiro de 2023.
O Ibovespa terminou em queda de 2,10%, aos 134.432 pontos, enquanto o dólar subiu 1,22%, chegando a R$ 5,50, refletindo a busca por segurança por parte dos investidores diante do cenário incerto.
A decisão de Dino, que integra um processo relacionado aos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, gerou preocupação nos grandes bancos brasileiros. O ministro determinou que decisões judiciais estrangeiras só podem ser aplicadas no Brasil mediante homologação ou cooperação internacional, criando um impasse com as sanções norte-americanas.
O Departamento de Estado dos EUA criticou a medida indiretamente, ressaltando que “nenhum tribunal estrangeiro pode invalidar as sanções dos EUA ou evitar suas consequências graves”. Economistas e analistas destacam que o episódio eleva o risco-país, aumenta a aversão ao risco e faz investidores procurarem proteção no dólar.
“É uma reação de cautela natural. Os investidores vendem ações e compram dólares para se proteger enquanto tentam entender o alcance da disputa entre Brasil e EUA”, afirma Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. Alison Correia, da Dom Investimentos, reforça: “O mercado prefere esperar e observar antes de se posicionar, porque ainda não há clareza sobre os próximos passos da Lei Magnitsky no Brasil.”
O clima de tensão evidencia como decisões políticas e judiciais podem reverberar rapidamente na Bolsa e no câmbio, transformando ações em volatilidade e números em alerta para investidores e gestores.