
Economia / Finanças
Decisão de Dino sobre a Lei Magnitsky provoca prejuízos bilionários a bancos brasileiros
As ações de grandes bancos brasileiros despencaram na terça-feira, arrastando consigo bilhões em valor de mercado e mostrando como a política internacional pode mexer diretamente com o bolso das instituições financeiras. Juntas, as quedas nos papéis ITUB4, BBAS3, BBDC4 e SANB11 somaram uma perda de R$ 41,3 bilhões, sendo o Banco do Brasil o mais afetado.
O movimento, que dominou as negociações na B3, reflete o receio de investidores diante da decisão do ministro do STF, Flávio Dino, sobre a aplicação de sanções internacionais no Brasil. Embora Dino não tenha citado diretamente a Lei Magnitsky, sua determinação de limitar a aplicação automática de normas estrangeiras foi interpretada pelo mercado como um alerta para bancos que operam nos EUA ou mantêm relações financeiras internacionais.
A decisão foi anunciada na segunda-feira, mas o efeito se refletiu na Bolsa apenas no dia seguinte. O governo americano, por sua vez, respondeu de forma firme: “Nenhum tribunal estrangeiro pode invalidar as sanções dos Estados Unidos ou poupar alguém das consequências graves de violá-las”, reforçando a tensão sobre as instituições financeiras brasileiras.
Entre as maiores quedas do dia, destacam-se:
- Banco do Brasil (BBAS3): -6,03%, cotado a R$ 19,80
- Santander Brasil (SANB11): -4,88%, R$ 25,94
- Itaú (ITUB4): -3,63%, R$ 36,31
- BTG Pactual (BPAC11): -3,48%, R$ 43,50
- Bradesco (BBDC4): -3,43%, R$ 15,79
O índice Ibovespa encerrou o dia com queda de 2,1%, a 133.997 pontos, a maior desde 4 de abril, logo após o anúncio do tarifaço de Trump.
Analistas apontam que a decisão cria um dilema: os bancos brasileiros ficam entre obedecer à determinação do STF ou se expor a sanções e perdas no mercado internacional. Segundo Eduardo Grübler, gestor da AMW, a situação gera insegurança jurídica e afasta investidores, pois qualquer movimento em falso pode resultar em exclusão de redes internacionais de pagamento ou multas pesadas.
Para Pedro Moreira, da One Investimentos, o risco mais grave seria ver os bancos perderem espaço no mercado global, especialmente nos EUA, onde muitas instituições brasileiras têm operações significativas. Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, alerta que ainda faltam clareza e informações sobre como as empresas financeiras americanas vão reagir, mantendo a tensão sobre o setor.
Em resumo, a combinação de decisões judiciais internas e sanções internacionais transformou o pregão de terça-feira em um alerta sobre a vulnerabilidade do sistema financeiro brasileiro frente a choques externos, reforçando o papel do STF e do governo americano nas estratégias das instituições financeiras.